| Metodología de desarrollo de software educativo basado en aprendizaje y trabajo colaborativo |
Autores: Luiziana Rezende, Jane R. Barbosa
Institución: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Castelo Branco
E-mail: jane@castelobranco.br , luiziana@lci.ufrj.br , luiziana@castelobranco.br
Resumo
Este artigo descreve o projeto multidisciplinar "500 Anos de Brasil:
Contando Nossa História, Construindo a Cidadania", que objetiva
a capacitação de professores e a instrumentalização
de alunos, a partir da utilização de diferentes fontes de
informação e do trabalho cooperativo no desenvolvimento de
um software stand alone . É uma experiência de integração
entre diferentes níveis de ensino, com base no conceito de transversalidade
contido nos Parâmetros Curriculares Nacionais. É uma iniciativa
de cooperação entre a Universidade Castelo Branco e as Escolas
Públicas Municipais Gil Vicente e Cel Corsino Amarantes. Utiliza
recursos de Informática e Telemática para mediação
do trabalho cooperativo.
Justificativa
O processo de globalização tem impulsionado a escola em direção à busca de melhores alternativas na articulação dos sistemas de ensino, cabendo aos educadores, a tarefa de desenvolver o potencial criativo dos educandos, estimulando-os a pensar, imaginar, inovar e, sobretudo, a gostar de aprender, para que desenvolvam autonomia e independência, características essenciais para toda sua vida.
Educar para cidadania é o mesmo que apontar possibilidades, mostrar caminhos, desvelar esperanças sem definir limites à liberdade de buscar o saber: o saber fazer e o saber ser. Isso é um esforço conjunto, um movimento social em direção ao bem comum. O ato de educar está no conceber e no concretizar uma escola democrática, avançada e digna; uma escola que de fato responda aos anseios e às necessidades de nosso povo; uma escola total e íntegra, que receba todas as crianças e jovens e ofereça a eles chances para a construção e para o crescimento como cidadãos do mundo.
É senso comum que a mídia deve estar a serviço do ser humano, garantindo a produção do conhecimento, tornando-se assim, imprescindível, nos momentos em que sua utilização seja necessária. Segundo Alvin Toffler [Tofler,95], no futuro "analfabetos serão aqueles que não souberem o que fazer com a informação disponível".
Sob este enfoque, torna-se necessário que a tecnologia, atual instrumento de socialização da informação, seja parte integrante do currículo escolar, do ambiente físico das escolas e do processo ensino-aprendizagem. Harasin [Harasin,93], Kaye [Kaye,91] e Kumon [Kumon,90] apontam para uma sociedade com novas formas de trabalho, de organização social e de aprendizagem.
Intensifica-se a necessidade de implementar um ambiente onde se possa proporcionar aos educadores contato e experiências com as novas tecnologias. É um momento de mudança, de adaptação à realidade cultural-tecnológica emergente, na qual a velocidade das mudanças da Ciência e da Tecnologia, imprime em todas as áreas, principalmente à Educação, novos paradigmas de aprendizagem e de interação no processo educativo, com utilização dos recursos da Informática e da Telemática.
Estes novos paradigmas apontam para uma educação cuja abordagem valoriza a atividade humana em seus aspectos essencialmente comunicativos e cooperativos. Segundo Paulo Freire [Freire,86], "ninguém educa ninguém, ninguém tão pouco se educa sozinho, os homens se educam entre si mediados pelo mundo".
O conceito de autonomia está fortemente atrelado a atividade de cooperação. Piaget salienta que as relações de cooperação e autonomia são um único processo e que cooperar implica na existência de respeito mútuo, que exige a adoção de escalas de saberes comuns ou compartilhamento de objetivos e metas, e na presença da reversibilidade operatória em ambos os parceiros, onde cada qual se coloque no lugar do outro [in Ramos,95].
No Brasil, no âmbito do Ensino Fundamental, vive-se um momento de busca de qualidade do processo ensino-aprendizagem, muitas vezes não alcançado em decorrência de diversos fatores, tais como: recursos financeiros escassos, falta de recursos humanos qualificados, recursos materiais inadequados e insuficientes, contextos sócio-econômicos diferenciados, entre outros.
A "escola de qualidade para todos" ainda não é uma realidade concreta e, para ser alcançada, demanda esforços sociais e políticos ainda não dimensionados.
A adoção de novas tecnologias na Educação, se contextualizada, tem como conseqüência a adequação do processo ensino-aprendizagem, permitindo a capacitação do educador e do educando para adaptar-se continuamente a novos conhecimentos, resolver problemas de forma criativa, processar e disseminar informações, dominar e utilizar as tecnologias e desenvolver novos tipos de relacionamento com seus pares a partir do trabalho cooperativo.
Neste contexto, aproxima-se o momento histórico de comemoração
dos quinhentos anos de Descobrimento do Brasil, fator que tem motivado
várias iniciativas no âmbito cultural, social, político
e educativo, com vistas a uma ampla reflexão e debate sobre o povo
brasileiro, sua história, suas tradições, seus hábitos,
sua diversidade, sua heterogeneidade e, principalmente, quanto ao seu futuro
no terceiro milênio.
Proposta
Com esta visão, a partir da integração multidisciplinar dos Cursos de Graduação em Informática e Pedagogia, em conjunto com o Laboratório de Informática Educativa, o Colégio de Aplicação Dr. Paulo Gissoni, a Escola Municipal Cel. Corsino Amarantes e a Escola Municipal Gil Vicente, a Universidade Castelo Branco está desenvolvendo o "PROJETO 500 ANOS DE BRASIL: CONTANDO NOSSA HISTÓRIA, CONSTRUINDO A CIDADANIA", com objetivo de capacitar professores e instrumentalizar alunos, utilizando diferentes fontes de informação no desenvolvimento de um software stand alone, no processo de compreensão da cidadania como participação social e política com adoção de atitudes de solidariedade, cooperação e respeito ao outro, através da mediação de recursos da Informática e Telemática em ambientes distribuídos de aprendizagem.
O projeto é uma iniciativa de integração de professores e alunos de nível superior, médio e fundamental, de maneira a assegurar à educação um padrão de qualidade, eficiência e modernizar a gestão escolar, tendo como produto final um software multimídia, desenvolvido com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e em técnicas de trabalho cooperativo.
Estão inseridas no projeto, linhas temáticas de pesquisa, que estão sendo desenvolvidas a partir da observação das atividades e do material que vem sendo compilado durante o desenvolvimento do projeto:
Objetivos:
Gerais:
Específicos:
Estrutura
O projeto é coordenado por três equipes multidisciplinares: Equipe Didático-Pedagógica (Coordenação de Pedagogia); Equipe de Desenvolvimento Tecnológico (Coordenação de Informática) e Equipe Integradora (Coordenação de Informática Educativa). As três equipes se articulam de forma a interagir mutuamente com o Colégio de Aplicação e as duas escolas públicas, que têm como eixos de articulação os supervisores pedagógicos, os professores e alunos.
Desenvolvimento
O projeto, como uma iniciativa multidisciplinar, teve que ser pensado e planejado durante um tempo considerável, a fim de alcançar um nível de articulação razoável para validação dos resultados alcançados.
Compreendendo que o espaço para atualização e educação continuada dos professores é seu próprio ambiente de trabalho e que a construção de conhecimento deve acontecer de forma cooperativa e contextualizada, sendo as situações co-produtoras do conhecimento através da atividade [Feijó,97], a primeira etapa consistiu na capacitação de recursos humanos: três supervisores pedagógicos, seis professores do Colégio de Aplicação e das escolas públicas, quatro professores de Graduação das áreas de Pedagogia e Informática, quatro alunos de Graduação das áreas de Pedagogia e Informática e quatro professores e alunos do Laboratório de Informática Educativa. Estes participaram de um minicurso sobre o desenvolvimento cooperativo de aplicações hipermídia em ambientes distribuídos de aprendizagem, com duração de vinte e quatro horas em três dias.
Em seguida, houve o levantamento de materiais para compor o software, a partir de pesquisa exploratória realizada por grupo de alunos com orientação dos professores, em todos os níveis. Foram encontrados materiais variados, sobre o contexto econômico, sociocultural, histórico e geográfico do Brasil e do mundo na época do descobrimento, envolvendo textos, livros, revistas, jornais, vídeos, fotos, áudio etc. Os alunos também participaram de eventos específicos, como visitas a museus, bibliotecas, mostra de vídeo e filmes históricos etc. Desta forma, puderam ter contato com diferentes visões do fato, questionando inconsistências e contradições, percebendo marcos, estabelecendo relações de causa e conseqüência, assim como influências para o povo brasileiro e outros povos, tendo a possibilidade de conhecer melhor o domínio do conhecimento para uma futura estruturação semântica e conceitual. Houve uma grande exposição para que todos pudessem conhecer e compartilhar o material acumulado, seguindo-se, logo após, a etapa de estruturação e organização do conhecimento com utilização de mapas conceituais.
Grupos de professores e alunos construíram, de forma cooperativa, mapas conceituais tentando definir os conteúdos e as relações semânticas que deveriam ser trabalhados nas áreas de estudo e disciplinas específicas, como também o escopo do software a ser desenvolvido. A partir dos vários mapas foi elaborado um mapa mais abrangente, em grupo composto pelas equipes do projeto. A opção por mapas conceituais deveu-se ao fato de constituírem-se em ferramentas educacionais usadas para evidenciar as relações hierárquicas e, em alguns casos, não hierárquicas entre conceitos, que são fundamentais para aprendizagem, ou seja, representações das estruturas conceituais que estão sendo aprendidas. No âmbito da hipermídia educacional, como um sistema de conceitos de uma área de saber, o mapa conceitual serve como um modelo conceitual que permite ao educador um instrumento capaz de representação do conhecimento, que auxilia o processo de aprendizagem na medida que evidencia quais relacionamentos, entre os conceitos da área, professor e alunos devem estabelecer. Segundo Brunner [Brunner,78] "aprender a estrutura da matéria, entender como as idéias fundamentais / geardoras se relacionam, é compreendê-las de modo que permita relacionar de maneira significativa a outras coisas".
Com o domínio do conhecimento definido e o escopo do software estabelecido, os professores iniciaram as atividades curriculares para elaboração dos hipertextos, trabalhando o desenvolvimento de habilidades cognitivas específicas. Foram definidos grupos de trabalho, atribuições e limites de prazo, formando as redes de aprendizagem.
Atualmente, o projeto está na fase de elaboração do plano de navegação do sistema hipermídia, com base no mapa conceitual e nos textos desenvolvidos, com a participação dos especialistas de conteúdo, alunos e profissionais da área de Informática.
As próximas fases previstas são: design da interface,
implementação, teste e avaliação do protótipo,
finalização e distribuição do software.
Consideracoes
A partir do enfoque do trabalho e aprendizagem cooperativos, houve uma grande preocupação por parte das equipes na definição de papéis, fator que tem auxiliado muito professores e alunos, que passaram a ter uma nova visão do ambiente educativo, onde: ambos são co-responsáveis pelo processo e pelos resultados; aprender requer um contexto de participação e interação; todas as idéias, conhecimentos, informações e sentimentos devem ser compartilhados; atitudes de autonomia e independência são fortemente requisitadas.
Para mediação do trabalho cooperativo, estão sendo utilizadas técnicas de brainstorming, definição de papéis, negociação e votação, dinâmicas de grupo.
Avalicao
No início do projeto foi realizada uma avaliação
diagnóstica para verificar os interesses dos participantes, seu
nível de conhecimento sobre a temática e suas habilidades
para o trabalho cooperativo.
Durante o desenvolvimento do projeto, está sendo realizada a avaliação formativa, com utilização de técnicas e instrumentos específicos, tais como: entrevistas, depoimentos, dinâmicas de grupo, portfólio etc.
Ao final, está prevista a avaliação somativa, com
finalidade de precisar se os objetivos foram realmente atingidos, baseada
em entrevistas com os participantes e utilização de questionários
específicos, como também nos resultados dos projetos de pesquisa
desenvolvidos pelos alunos de iniciação científica.
Também serão utilizados como instrumentos de avaliação
os mapas conceituais elaborados durante e ao final do projeto.
Para avaliar a qualidade do trabalho cooperativo estão sendo
utilizados, durante o projeto, os portfólios individuais e de grupo.
Ao final, será realizada a técnica DELPHI, que consiste
num estudo desenvolvido em rodadas. A primeira rodada será trabalhada
por categorias abertas e semi-abertas, as demais serão desenvolvidas
de acordo com o feedback da rodada anterior até que se alcance
o objetivo desejado: a identificação de vantagens e desvantagens
do trabalho cooperativo e da aprendizagem cooperativa.
Para avaliar o produto desenvolvido será utilizado o instrumento
desenvolvido por Silva e Eliot [Silva & Eliot,98], em trabalho científico
recentemente publicado, que possibilita a avaliação do software
tanto por especialistas como pelos usuários.
Bibliografia
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