REDE DIDÁTICA

Gomes Ferreira, Verônica G.; Guimarães, Gilda; Santos, Cristiane & Santos, Marcus

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Um dos clássicos trabalhos do professor tem sido o de escolher ou organizar seqüências de atividades que explorem um domínio do conhecimento. Estas seqüências de ensino aparecem, também, como um dos seus principais objetos da Engenharia Didática.

A Engenharia Didática, vista como metodologia de pesquisa, caracteriza-se por um esquema experimental baseado em realizações didáticas em classe, i.e., sobre a concepção, a realização, a observação e a análise de seqüências de ensino - seqüências didáticas (Chevallard, 1982).

Artigue (1989) apresenta o trabalho da Engenharia Didática comparando-o com o trabalho do engenheiro. Ao realizar um projeto, apoiando-se sobre o conhecimento científico de seu domínio, o engenheiro, assim como o professor ou pesquisador da Engenharia Didática, aceita a submeter-se a um controle científico, e ao mesmo tempo encontra-se obrigado a trabalhar sobre objetos menos precisos que os científicos. O trabalho do professor, ao elaborar ou escolher uma seqüência didática, deve levar em conta de forma integrada: o domínio do conhecimento, o conhecimento prévio do aluno, o papel do professor e dos seus alunos. Para tanto, em cada seqüência é necessário uma definição do significado da aprendizagem. A criação de uma seqüência didática dar-se num processo interativo no qual o objetivo é a elaboração de um grupo de decisões para que os processos tenham significados e as estratégias sejam mais efetivas. Leva-se em consideração as respostas dos alunos e as condições as quais estão submetidas. Desta forma o processo envolve: um análise da situação proposta, das condições da organização, da escolha de estratégias baseadas nas análises da instrução dada, da determinação de critérios de avaliação, da elaboração de questões que estejam de acordo com os critérios determinados e uma revisão de todo processo em função desta avaliação.

Por um lado, grande parte de pesquisadores se dedicam ao estudo de seqüências didáticas. Uma boa parcela dos componentes dos Centro de Educação da UFPE, por exemplo, vêm investigando seqüências didáticas em conteúdos específicos. O Núcleo de Didática dos Conteúdos Específicos do Mestrado em Educação e o Laden - Laboratório de Ensino vêm desenvolvendo pesquisas em torno da elaboração e avaliação destas seqüências nas várias áreas do nosso currículo de 1o. e 2o. graus. Em vários níveis de pesquisa, seqüências didáticas têm sido produzidas e testadas: monografias de especialização, pesquisas de iniciação científica, teses de mestrado e pesquisas em geral. Porém, estas seqüências têm sido pouco divulgadas.

Por outro lado, para o professor uma das principais fontes destas seqüências continua sendo os livros didáticos e paradidáticos. Parte das revistas científicas, da área de Educação, abordam assuntos voltados para questionamentos teóricos, com uma linguagem acessível a um pequeno público (a comunidade acadêmica). Enquanto, as revistas destinadas aos professores de 1º e 2º graus abordam as experiências vivenciadas em sala de aula de modo superficial e resumida. Surge-se, portanto, o clássico problema da integração entre a pesquisa didática e a sala de aula.

A Internet, com seus primórdios no sistema militar (Alcântara et al, 1997), surge como um meio de integração entre os vários setores da sociedade. No campo da Educação de 1o. e 2o. graus, vem se discutindo sobre a importância da rede nas escolas como forma de ampliação cultural e diminuição das distâncias físicas por vezes difíceis de serem superadas. O acesso de professores à rede Internet será ampliado em breve através do Proinfo - projeto de informatização das escolas públicas (Proinfo, 1997).

Foi neste contexto que iniciou-se o desenvolvimento de um site na Internet "Rede Didática". O site visa permitir a professores de 1º e 2º graus o acesso a seqüências didáticas desenvolvidas a nível de ensino e pesquisa no Centro de Educação, inicialmente, e de outros centros de pesquisa, numa segunda etapa. Este site vem possibilitar aos professores, em geral, o acesso a experiências que foram realizadas em sala de aula e que obtiveram bons resultados, permitindo assim, que eles possam usufruir deste conhecimento e até mesmo adaptá-lo a sua realidade.

A Rede Didática foi estruturada com vistas a facilitar o acesso do usuário (professor) às mesmas segundo suas necessidades. Ao entrar na Homepage, o professor encontra uma discussão do que são seqüências didáticas e uma explicação da estrutura do site, e ainda, as áreas do conhecimento (ex.: artes, geografia, linguagem, matemática, etc.). O professor seleciona a área de seu interesse e pode facilmente localizar as seqüências por tópicos (ex.: em matemática ele pode procurar: por álgebra, geometria, aritmética, etc.), material utilizado, série ou ainda por autor. As seqüências de caráter multidisciplinar aparecem nas várias áreas que as mesmas abrangem.

Ao chegar a homepage de uma seqüência específica, o professor encontra um resumo explicando a seqüência, o qual tenta numa linguagem acessível passar para o professor os pontos principais da seqüência, assim como, resultados obtidos através da aplicação da mesma. Inicia-se o resumo da seqüência por uma questão chave. Posteriormente, os objetivos gerais e público alvo são apresentados. Uma parte das atividades, que represente a essência da seqüência é descrita. Cada passo da atividade é apresentado seguido de seu objetivo dentro do objetivo geral da seqüência. O material utilizado também aparece na descrição das atividades. Por fim, discute-se as suas implicações educacionais e apresenta-se conclusões.

Caso se interesse pela seqüência, ou queira avaliar melhor, o professor pode gravar a versão completa da seqüência (incluindo folhas de trabalho) em MS-Word em seu computador através do ‘Download’. Aliado a esta característica tem-se o formulário de opinião do professor sobre as seqüências. Desta forma, o site permite ao professor o acesso interativo, sugerindo possíveis modificações ou adaptando-as para o seu contexto. O formulário de opinião busca, também, um ‘feedback’ para o pesquisador quanto os resultados de aplicações das seqüências por outros professores.

A interatividade do site vai também buscar novas seqüências com professores e pesquisadores de outros Centros. Deseja-se que o professor submeta sua seqüência, para que ela seja avaliada e verificada a possibilidade de inserção da mesma no site, através de um formulário de submissão encontrado no mesmo. A avaliação da seqüência submetida segue os seguintes critérios: que tenha sido experimentada e obtido bons resultados; que a esteja de uma forma clara, que possibilite uma fácil compreensão; que leve em consideração uma concepção construtivista e interacionista sobre o que é aprendizagem e que leve em consideração as etapas de uma seqüência didática.
 

Referências:

Artigue, M. (1989) Une recherche d’ingéniere didactique sur l’enseignement des équations différentielles en premier cycle universitaire. Actes du Séminaire de Didactique des Mathématiques et de l’Informatique de Grenoble, pp.183-209, Ed.IMAG, Grenoble.

Alcântara, A.A. et al, Homepages: Recursos e Técnicas para a criação de Páginas na WWW, Editora Campus, 1997.

Chevallard, Y. (1982). Sur l’Ingénierie Didactique, Deuxième École d’Éte de Didactique des Mathématiques, Olivet.

PROINFO (1997). Programa de Informática para a Rede Pública de Ensino de Pernambuco, Secretaria de Educação e Desportos de Pernambuco, janeiro.