O PROGRAMA ZERO: CONCEPÇÃO
E CORRECÇÃO
ÓPTICA DE TESTES DE MÚLTIPLA
ESCOLHA
João Carlos Paiva
Carlos Paredes
jcpaiva@nautilus.fis.uc.pt
Fax: 351 – 39 – 402782
Apresenta-se um programa de computador intitulado ZERO, que corrige
e concebe testes de múltipla escolha.
A oportunidade de um programa desta natureza é contextualizada
na problemática da avaliação.
É feita uma descrição do modo de funcionamento
do programa, enfatizando as suas potencialidades.
Dá-se conta de algumas estratégias relacionadas com testes
de múltipla escolha e aborda-se o impacto do programa junto dos
professores.
Finalmente apresentam-se algumas das novas ideias a implementar na versão
3.0, que está a ser desenvolvida.
1) Porquê o Projecto ZERO?
Adiantamos, desde já, a razão do nome «zero».
Trata-se do tempo que se gasta na correcção de testes, se
forem aproveitados recursos informáticos relativamente comuns. As
novas tecnologias poderão, mais uma vez, alterar os hábitos
em diversos domínios e promover a qualidade no e do trabalho.
Quem se movimenta em «terrenos pedagógicos» sabe
o peso que os professores suportam por terem, tantas vezes, de corrigir
massivamente um grande número de testes. As consequências
desta sobrecarga para o professor, prendem-se com alguma falta de tempo
e de frescura psicológica para relações pedagógicas
fundamentais. Os alunos, por seu turno, não nutrem grande simpatia
por testes entregues muito tardiamente.
Por outro lado, é a dificuldade na correcção de
testes que muitas vezes inibe o professor de detectar concepções
prévias nos alunos, de fazer testes-diagnóstico, de elaborar
sociometrias de turma ou de escola ou de avaliar formativamente os alunos
em sucessivos momentos.
As correntes modernas de ensino apontam para o conhecimento por parte
do professor do património cognitivo do aluno antes da aprendizagem
formal. Também a avaliação formativa se tem evidenciando
como fundamental. A maioria dos professores, porém, não consegue
impregnar a sua prática pedagógica com estas tendências.
Não será tanto falta de convicção mas falta
de condições reais (por exemplo, falta de tempo).
A «ferramenta informática» que apresentamos pode
minimizar muitas destas dificuldades e facilitar a implantação
de tendências pedagógicas imprescindíveis.
Mas é talvez nos momentos de avaliação sumativa,
ao nível dos ensinos básico, secundário e universitário,
que este apoio técnico pode verdadeiramente aliviar o professor
e libertá-lo para outras frentes pedagógicas (e tem-se aqui
uma evidência para o paradoxal reforço dos aspectos mais humanos
à custa de novas tecnologias!). Não podendo ser exclusiva
(e não comprometendo, por isso, a avaliação diferenciada),
a avaliação por testes de múltipla escolha (adiante
ME), intercalada e/ou combinada com esquemas de avaliação
tradicional, pode ser factor de promoção real da qualidade
pedagógica.
Foi recolhido um conjunto vasto de bibliografia que apoia a validade
dos testes de múltipla escolha na avaliação dos alunos,
e fornece algumas técnicas para a concepção destes
testes, tanto específicas de cada disciplina como globais. Atenda-se,
por exemplo, a Hancock 1994, Killoran 1992 e Scouller 1994.
Em certas áreas disciplinares mais do que noutras, e sem carácter
de exclusividade, os testes de múltipla escolha são, de facto,
uma mais valia pedagógica.
Finalmente, o programa pode também ser uma grande ajuda para
a leitura de inquéritos em grande número e ao respectivo
tratamento, desde que tais inquéritos possam ser elaborados com
esquemas simples de múltipla escolha.
A eficácia da avaliação depende dos objectivos
que ela compreende. Há que não ser dogmático nem céptico
em relação à metodologia de testes ME. Esta ferramenta
informática pode trazer alguns trunfos a favor da utilização
destes testes, sempre recomendada com moderação.
2) Modo de funcionamento do programa
O programa funciona em estreita ligação com o processador
de texto Word da Microsoft. Os testes são elaborados
normalmente, sujeitos a algumas regras de estruturação que
apresentamos seguidamente.
A correcção dos testes é potenciada com o uso de
um scanner com alimentador automático, sendo possível,
porém, desfrutar do programa sem esta peça de hardware.
O programa é distribuído com o respectivo manual, que
apresenta todas as indicações necessárias ao seu bom
funcionamento.
a) Lista de comandos e seu significado
O acesso às várias opções é possível
com o rato ou, alternativamente, premindo a letra que se encontra sublinhada
em cada uma das opções.
Os comandos principais encontram-se na opção FERRAMENTAS
(TOOLS) do menu principal do processador de texto Word. (ver Figura
1)
Figura 1: Opções principais acessíveis
na opção FERRAMENTAS (TOOLS) do menu principal do processador
de texto Word.
Os comandos são os seguintes:
-
Inserir pergunta ME (Múltipla ESCOLHA) - Insere
um campo indicativo de que se segue uma pergunta de ME (normalmente não
é usado pois sugere-se a concepção do teste no seu
todo e a inserção global de campos de ME no final, com a
opção AUTO INSERIR PERGUNTA ME)
-
Gerar testes - Gera testes aleatorizados num novo
documento a partir de um teste base com perguntas de ME. Gera igualmente
as folhas de respostas personalizadas - com base no número de perguntas
e número de alternativas - a distribuir pelos alunos.
-
Auto inserir perguntas ME - Insere os campos indicativos
de pergunta de ME antes de todas as tabelas que constarem do documento
(terão de ser posteriormente removidos os campos que antecederem
tabelas com outros efeitos que não alternativas a perguntas de ME).
-
Ver campos - Permite a visualização
e manipulação dos campos indicativos de testes de ME.
-
Esconder campos - Esconde os campos indicativos de
testes de ME (convém que esta opção esteja activa
na formatação final da folha de enunciado do teste).
-
Corrigir testes - Abre o programa ZERO a partir do
qual podem ser corrigidos os testes, que devem ser preenchidos a preto
pelos alunos.
As opções disponíveis no programa ZERO,
de correcção de testes, são as seguintes:
- Geral:
-
Impressora - Selecciona e/ou configura a impressora
a utilizar.
-
Scanner - Selecciona o scanner a utilizar.
-
Ler teste - Lê os ficheiros respeitantes a cada
teste que se pretende corrigir.
-
SALVAR teste - Guarda toda a informação
relativa à correcção do teste.
-
FIM - Terminar.
- Funções:
-
IMPRIMIR Chaves - Imprime nos testes já feitos
pelos alunos as respectivas chaves de resposta.
-
CORRIGIR TESTES - Corrige os testes no modo de scanner
(para quem tem scanner).
-
COTAÇÕES - Cotações das
perguntas, nas quais se podem incluir resultados de outras perguntas que
não são de múltipla escolha. De entre as opções
disponíveis desta janela destaca-se a opção IMPRIMIR
RESULTADOS (imprime numa folha os resultados do teste de ME e/ou da
parte que não seja de escolha múltipla; nota por aluno, e
a percentagem de sucesso da turma por pergunta).
-
IMPRIMIR CORRECÇÃO - Imprime a nota,
a rubrica do professor, a chave de respostas respectiva e o número
do aluno, que deverá coincidir com o número constante da
Folha de Respostas. Esta impressão pode ser feita por ordem de entrada
no scanner, ou por número de alunos.
-
EXPORTAR - Exporta informação sobre
o teste, nomeadamente em formato legível pelo programa Excel.
- Ajuda:
-
Antes de mais… - Informações
sobre cópias de versões e «piratarias informáticas».
-
TÓPICOS - Basicamente, inclui o conteúdo
deste manual e pode ser uma ajuda a qualquer momento.
-
Projecto ZERO - Informações sobre a
versão do programa e respectivos autores.
b) Procedimento para conceber e corrigir um teste
-
Para fazer um teste de múltipla escolha, gerando os respectivos
ficheiros de correcção (óptica ou na impressora) deve
entrar no processador de texto Word. Na opção NOVO
(NEW) deverá partir não de um documento virgem, mas de um
MODELO (TEMPLATE) com o nome ZERO. Este MODELO (TEMPLATE) ZERO foi criado
durante a instalação do programa. Alternativamente poderá
partir de um teste de ME já elaborado e, apagando o que não
lhe interessa, fazer GUARDAR COMO (SAVE AS), atribuindo um novo nome ao
documento que quer gerar, não danificando, assim, aquele de que
partiu.
-
Sugere-se que, desde logo, guarde o teste na opção GUARDAR
(SAVE) do menu FICHEIRO (FILE) (ver capítulo "Sugestões para
gerir e atribuir nomes aos ficheiros dos testes").
-
Na segunda linha deve começar a escrever o cabeçalho do teste
(que pode igualmente importar de outros testes anteriores).
-
Introduzir a primeira pergunta (recomendamos que o faça a letra
tipo negrito (bold)). Mudar de linha e introduzir uma tabela com o número
de células correspondentes ao número de opções
que quer incluir em cada pergunta. Pode usar o comando TABELA (TABLE) e
escolher INSERIR TABELA (INSERT TABLE), seleccionando o número de
linhas e colunas que desejar. Alternativamente poderá usar o ícone
de inserção de tabelas se o tiver instalado.
-
Escrever a resposta correcta na primeira célula à esquerda
e em cima . Para mais do que uma resposta certa colocar na segunda célula
e assim sucessivamente, seguindo o critério de leitura comum (esquerda-direita,
cima-baixo, conforme o cursor se desloca com a tecla "Tab"). Ver adiante
o capítulo "Como dar ao computador a instrução de
que se pretende mais do que uma alternativa correcta?").
-
Escrever as restantes alternativas nas outras células, tendo o cuidado
de não deixar células vazias. Se escolher uma tabela de duas
linhas por três colunas, por exemplo, e quiser apenas cinco opções,
deverá eliminar a última célula (seleccionar a respectiva
célula e seleccionar ELIMINAR CÉLULA (DELETE CELL) no menu
TABELA (TABLE)).
-
Repetir os procedimentos 3,4 e 5 para as restantes perguntas (poderá
com benefício usar os comandos COPIAR(COPY) e COLAR(PASTE) para
perguntas e tabelas de respostas, em vez de inserir sistematicamente tabelas).
-
Depois do teste concluído deverá inserir antes de cada tabela
a informação de que essa tabela constitui uma série
de opções para pergunta de ME. Para não ter que repetir
esse procedimento para cada tabela poderá correr a opção
AUTO-INSERIR PERGUNTAS ME que está disponível no menu FERRAMENTAS
(TOOLS). Neste caso terá de ter o cuidado de eliminar posteriormente
os campos que antecedam eventuais tabelas descritivas que fazem parte do
teste e não constituem alternativas de resposta.
-
Para fazer a remoção dos campos em tabelas que não
são de respostas de ME, ou, genericamente, para visualizar onde
estão inseridos tais campos, pode activar a opção
VER CAMPO, disponível no menu FERRAMENTAS (TOOLS). Seleccionar com
o rato a expressão {seq Choices \h \r 1} e apagar.
-
Para elaborar perguntas com duas ou mais respostas certas, tem de activar
a visualização dos campos e substituir o número 1
na expressão {seq Choices \h \r 1} pelo número de
respostas correctas a inserir (as respostas correctas serão introduzidas
nas primeiras células, seguindo o critério direita-esquerda
e cima-baixo).
-
Antes ou depois das perguntas de ME poderá elaborar perguntas tradicionais
e incluí-las no enunciado do teste (as respostas, porém,
podem ser dadas na própria folha de respostas, cujo verso, pelo
menos, está disponível para o aluno responder). Alternativamente,
poderá colocar as questões tradicionais que entender e respectivos
espaços para resposta, na folha de respostas que será automaticamente
criada quando gerar os testes aleatorizados.
-
O passo seguinte é formatar o texto dos testes. Há sempre
ligeiros ajustes de tipo e tamanho de letra, parágrafos, etc., com
vista a uma melhor estética e economia de folhas.
-
Aconselha-se que GUARDE (SAVE) o documento em causa.
-
Finalmente deverá gerar os testes aleatorizados. Para tal, escolher
a opção GERAR TESTES no menu FERRAMENTAS (TOOLS) e escolher
o número de testes que quer gerar. Os ficheiros para corrigir estes
testes serão gravados na directoria C:\ZERO (criada automaticamente
na instalação do programa) com a extensão .zer. Se
já tiver um documento com o mesmo nome, a respectiva chave de correcção
será apagada e substituída por aquela que está a criar
(daí o interesse em gravar os seus testes com nomes sempre diferentes).
Os testes gerados serão gravados num novo documento que, na maioria
dos casos, será prescindível e poderá nem ser guardado.
É igualmente criada uma Folha de Respostas personalizada a distribuir
pelos alunos, com o número de questões e o número
de opções de resposta adequados ao teste em causa. As folhas
de resposta devem ser preenchidas pelo aluno com caneta preta, ainda que
primeiramente devam ser preenchidas a lápis para facilitar qualquer
alteração de resposta.
-
Para corrigir os testes escolher a opção CORRIGIR TESTES
no menu FERRAMENTAS (TOOLS) (pode também aceder ao programa de correcção
de testes sem entrar no programa Word. Basta um clique no ícone
do programa ZERO, que se encontra no grupo ZERO, previamente criado no
disco C)
Figura 2: Janela do programa de corrigir testes.
-
Deverá, como primeiro passo, seleccionar a opção LER
TESTE, disponível no menu GERAL.
-
Seguidamente deverá escolher o ficheiro que corresponde ao teste
que quer corrigir (escrevendo ou clicando no nome do ficheiro respectivo).
Ver Figura 3.
Figura 3: Lendo um ficheiro de respostas.
-
A seguir há que seleccionar as folhas dos testes já feitos
pelos alunos por versões (A, B, C, etc.) e colocá-los na
impressora de forma correcta. Escolher a opção IMPRIMIR CHAVES.
Sugere-se uma primeira experiência num teste "virgem", já
que ligeiros ajustes podem ser necessários na orientação
de página em virtude de oscilações da página,
quando se fotocopiam as folhas de respostas para distribuir pelos alunos.
Deverá escolher igualmente se a impressão de chaves se faz
a vermelho (por defeito) ou a preto (ver Figura 4).
Figura 4: Janela para impressão de respostas nos testes já
feitos pelos alunos.
-
Basta agora seleccionar o número de testes de cada versão
e escolher a opção IMPRIMIR.
-
Repetir este procedimento para os lotes de testes seguintes.
c) Se tem um scanner, tudo é mais simples!
-
Para corrigir os testes, basta seleccionar a opção CORRIGIR
TESTES (opção FUNÇÕES) na janela do programa
ZERO.
-
A janela para esta opção dá-lhe a possibilidade de
escolher o alimentador automático ou não, de suspender a
correcção, de ler a rubrica do professor ou optar por uma
rubrica pré-existente ou de terminar a correcção.
Inserir os testes no alimentador do scanner, tendo o cuidado de
rubricar o primeiro no rectângulo destinado para esse efeito, se
não tiver já uma rubrica pré-existente. Esta rubrica
deve ser feita a caneta preta, se possível de filtro. Não
tem de se preocupar com a ordenação nem com a orientação
da folha. Carregar no botão CORRIGIR (o tempo de execução
deste comando depende do número de testes e da rapidez do scanner.
Normalmente, porém, trata-se de uma execução lenta
que se aconselha a fazer em altura de pouco «tráfego informático»
no seu computador, mas que não requer qualquer vigilância).
-
É muito importante guardar as informações relativas
às correcções feitas em scanner. Seleccionar
a opção SALVAR TESTE no menu GERAL. O mais prático
é atribuir o mesmo nome ao ficheiro do teste que o gerou (por defeito
é-lhe dada esta sugestão). A extensão deste ficheiro
é .zex; ele contém todas as informações do
ficheiro de extensão .zer mas foi enriquecido com toda a informação
obtida pelo scanner. Uma das grandes utilidades deste ficheiro é
tornar portátil a correcção dos testes. Significa
que pode corrigir os testes com o scanner da sua escola, por exemplo,
e imprimir em casa os resultados e as correcções através
do ficheiro .zex entretanto criado.
-
É conveniente, antes de imprimir resultados ou correcções,
configurar as cotações a atribuir a cada pergunta ME, o que
poderá fazer na opção COTAÇÕES. Nesta
opção pode inserir as cotações de outras perguntas
que não de ME, e os resultados dos alunos obtidos nessas perguntas.
Escolherá igualmente o formato de resultados que pretende imprimir
(percentagem, 0-20, escala reduzido-médio-elevado, escala insuficiente-suficiente-bom-muito
bom, etc).
-
Para imprimir os resultados basta um simples clique no botão IMPRIMIR
RESULTADOS, dentro da janela de COTAÇÕES. Será impressa
a folha conforme consta na opção COTAÇÕES.
-
A opção IMPRIMIR CORRECÇÃO serve para imprimir
nos testes dos alunos a correcção propriamente dita. Pode
optar por introduzir na impressora os testes por ordem de entrada no scanner
ou por número de aluno de cada turma. É livre a selecção
dos campos a imprimir (por defeito todos): rubrica, nota, chave de correcção,
número de ordem, número do aluno e turma.
-
No caso de querer tratar os resultados numéricos obtidos, sugere-se
a selecção da opção EXPORTAR, dentro do menu
FUNÇÕES. Seleccione a informação que quer exportar
e o formato pretendido. Deverá correr o ficheiro entretanto criado
dentro de um programa específico para tal, como o Excel da
Microsoft, por exemplo.
3) Fazendo um teste de ME: um exemplo simples
-
A
título de exemplo, acompanhemos a execução de um testes
de ME de Físico-Químicas, dirigido a alunos do 9º ano
do Ensino Básico. O professor que fez o teste conta-nos como fez…
-
Abri um novo documento na opção NOVO (NEW) que se encontra
no menu FICHEIRO (FILE) do processador de texto Word. Seleccionei
um documento pré-existente que se chama ZERO.
-
Como primeiro passo, fiz a opção GUARDAR (SAVE) e chamei
a este documento que comecei a criar TS010996.doc, já que era o
primeiro teste sumativo do 9º ano que concebia no ano lectivo de 1995/96.
Gravei o meu documento na directoria c:\9\TS, previamente criada.
-
Não escrevi na primeira linha, como me sugeria o programa, e comecei
por elaborar um cabeçalho, explicando com rigor a – para alguns
alunos nova – metodologia do teste.
-
Esbocei então uma primeira pergunta. Pensei em fazer algo simples,
respeitando o princípio da complexidade crescente. Talvez uma simples
leitura de gráficos para os estimular e os "embalar" para um teste
bem sucedido, sem deixar de incluir perguntas de selecção.
-
Inseri uma figura e um grupo de questões. Para inserir a tabela
usei o comando INSERIR TABELA (INSERT TABLE) acessível na opção
TABELA (TABLE) do menu principal.
-
Seleccionei uma tabela de 2 linhas por três colunas já que
pensei em 6 opções de resposta.
-
Na primeira célula coloquei a resposta correcta .
Atende na figura seguinte à qual se referem as perguntas
1 a 5. Esta figura dá conta da contribuição de várias
centrais de produção energética para a poluição.
A poluição pode ser de três tipos: térmica (aumento
da temperatura do planeta), química (produção de substâncias
químicas poluentes) e radioactiva (produção de radiações
perigosas para o meio).
Figura 5: Quadro de um enunciado de um teste de ME para o 9º ano.
Qual das centrais contribui mais significativamente para a poluição
química do planeta?
| A carvão |
Biomassa |
Nenhuma das opções
é correcta |
| A gás natural |
Nuclear |
A petróleo |
-
Na pergunta de cálculo achei que devia haver apenas
5 opções. Como tal, removi uma célula (APAGAR CÉLULA
(DELETE CELLS)), a última, numa tabela de respostas de 6 células:
15. Um copo com 200 g de água é aquecido
de tal forma que a temperatura da água passa de 10 °C para 90
°C. A energia transferida para a água sob a forma de calor foi:
(Cágua= 1 cal / (g °C))
| Nenhuma das opções
é correcta |
16 cal |
1600 J |
| 2,5 cal |
160
cal |
-
Resolvi fazer uma pergunta de selecção colocando 6 frases
subtilmente falsas, para que o aluno indicasse qual era verdadeira, obrigando-o,
com alguma ironia, a escolher um elogio da Física (…). Pela sua
extensão, optei por uma tabela de 1 coluna por sete linhas:
24. Qual das afirmações seguintes é verdadeira?
| A Física é uma ciência interessante. |
| O equilíbrio térmico, de facto, nunca se
atinge. |
| Calor é o mesmo que trabalho. |
| Calor é o mesmo que temperatura. |
| A temperatura é uma medida da energia interna
dum corpo. |
| Calor é uma substância. |
| Um corpo que esteja muito quente tem as suas partículas
pouco agitadas. |
-
Escrevi a pergunta de desenvolvimento que depois resolvi
copiar para a Folha de Respostas (conservei esta pergunta de desenvolvimento
na Folha de Enunciado pois será este o documento que vou conservar
no meu disco duro).
-
Usei o comando AUTO INSERIR PERGUNTAS ME (disponível
no menu FERRAMENTAS (TOOLS) para "informar" o computador das perguntas
de ME.
-
Activei a opção VER CAMPOS para remover as
instruções que antecediam tabelas que não eram respostas
a perguntas ME.
-
Activei a opção ESCONDER CAMPOS para formatar
da melhor forma a Folha de Enunciado. Ajustei a estética e a economia
de folhas, burilei em definitivo o teste, resolvi-o, corrigi um ou outro
aspecto, usei a opção GUARDAR (SALVAR) (que seleccionei de
quando em vez) e só então…
-
Fiz um clique na opção GERAR TESTES (disponível
no menu FERRAMENTAS (TOOLS)).
-
Escolhi a geração de 4 testes aleatorizados
e obtive 4 testes em tudo equivalentes mas com 4 cabeçalhos precedidos
das expressões TESTE A, TESTE B, TESTE C e TESTE D, respectivamente.
As mesmas perguntas mas as respostas trocadas. Obtive ainda a Folha de
Respostas que deve ser preenchida pelos alunos a preto e à qual
anexei a pergunta de desenvolvimento. Esta folha tomou um aspecto conforme
a Figura 6:

PARTE II (Usa o espaço desta página e o verso desta
folha para responderes à PARTE II do teste)
Desenvolve, em não menos de 10 e em não mais do que
20 linhas, o seguinte tema: "Utilização racional de energia.
A urgência de promover um uso equilibrado de energia"
NOTA: Podes usar rimas, diálogos, histórias e tudo
o mais que a tua imaginação sugira.
Figura 6: Folha de Respostas gerada automaticamente pelo programa ZERO.
-
Sem ter em casa ou na escola um scanner, corrigi os
testes na impressora. Trouxe os testes para casa, já preenchidos
pelos alunos, e separei-os em lotes consoante eram testes A, B, C ou D.
Introduzi as Folhas de Resposta do teste A na impressora precedidas de
uma Folha de Resposta virgem.
-
Entrei no programa ZERO (fi-lo no sem estar com o programa
Word
aberto mas podia ter aberto este mesmo programa a partir da opção
CORRIGIR TESTES (menu FERRAMENTAS (TOOLS)) do Word.
-
Activei a opção LER TESTE no menu GERAL. Escolhi
o ficheiro C:\ZERO\TS010996.zer.
-
Seleccionei a opção IMPRIMIR CHAVES, escolhi
a cor a imprimir e a versão do teste (A, por exemplo). Fiz uma experiência
com a folha virgem. Ajustei 2 mm para cima e 3 mm para o lado esquerdo,
defini o número de testes para imprimir a chave e fui descansar.
Passados alguns minutos repeti o procedimento para os testes B, C e D.
-
Quando adquiri o scanner com alimentador tudo se tornou
mais fácil: rubriquei o primeiro teste, coloquei os testes todos
misturados e até invertidos no scanner. Abri igualmente o
ficheiro TS010996.zer mas activei a opção CORRIGIR TESTES
no menu funções.
-
Fiz as selecções adequadas e activei a correcção.
No final escolhi a opção SALVAR TESTE e guardei o ficheiro
TS010996.zex que contém toda a informação sobre o
teste (podia ter feito este procedimento noutro computador e ter transportado
o ficheiro TS010996.zex para minha casa).
-
Seleccionei COTAÇÕES para inserir as cotações
das perguntas ME e os resultados de três perguntas clássicas
- não de ME - que constavam do teste. Escolhi o formato de nota
na escala reduzido-…-elevado e o computador fez as suas contas…
-
Activei a opção IMPRIMIR RESULTADOS, num botão
do menu COTAÇÕES, e uma folha foi-me devolvida pela impressora,
com a nota por aluno e a percentagem de sucesso por pergunta.
-
Finalmente, coloquei os testes na impressora, na mesma ordem
com que os colocara no scanner (podia, se pretendesse, colocá-los
por ordem de alunos) e seleccionei a opção IMPRIMIR CORRECÇÃO
no modo A MESMA ORDEM DE ENTRADA NO SCANNER. Deixei imprimir todos
os campos de resultados. No final, obtive os testes corrigidos com a nota
respectiva, a minha rubrica (tinha rubricado o primeiro teste com caneta
de filtro preta), o número do aluno e turma, e a chave de correcção
respectiva, consoante se tratasse do teste A, B, C, etc. Felizmente correu
tudo bem. Se, por azar, um teste tivesse sido trocado por má inserção
na impressora, eu (ou o aluno) detectaria o erro pois o número registado
pela impressora não coincidiria com o número escrito na Folha
de Respostas. A folha de resultados impressa previamente, porém,
esclarecia todas as dúvidas.
-
O primeiro teste de ME foi mobilizador, para mim e para os
alunos. Mas, lentamente, a poupança de tempo tornou-se impressionante.
Com ela, aumentou a rendibilidade pedagógica, que resulta de ter
mais tempo para os alunos e de fazer mais testes formativos, mais testes-diagnóstico
e mais testes de detecção prévia com este formato.
-
Fui fazendo algumas experiências de investigação
em métodos de avaliação. Fiz o tratamento de dados,
lendo os ficheiros gerados pelo scanner na Folha de Cálculo
do programa Excel, que estavam na directoria C:\ZERO. Consegui estes
ficheiros na opção EXPORTAR do menu FUNÇÕES.
Aprendi, por exemplo, que havia perguntas típicas que eram mais
acertadas por alunos do sexo feminino. Pude observar também quais
as opções erradas mais seleccionadas pelos alunos, etc.
4) Tópicos para experiências piloto de concepção
de Testes de Múltipla Escolha
Nota PRELIMINAR: há toda uma investigação moderna
e uma metodologia específica para a concepção de perguntas
ME. Recolheram-se cerca de 1500 referências bibliográficas
sobre o assunto, nas mais variadas áreas disciplinares. Apresentamos
aqui, a título de exemplo, referências de Hoepfl 1994 e Powell
1992. As sugestões seguintes são pois resumidas e claramente
simplistas, mas talvez práticas e úteis. Os "testes-exemplo"
que acompanham este programa têm também esta componente prática:
já foram testadas pedagogicamente com sucesso embora não
tenham sido alvo de uma investigação sistemática e
aprofundada. Alguns apontamentos:
-
A experiência tem revelado que um teste de ME para 50 - 60 minutos
não deve ter mais de 30-40 perguntas, dependendo da extensão
das perguntas e das alternativas (o tempo que o aluno demora a ler as perguntas
e as respectivas alternativas é um aspecto importante).
-
Um teste misto para o nível secundário pode ter, por exemplo,
20 perguntas de ME e uma pergunta com 4 ou 5 alíneas mais clássicas
(em línguas, por exemplo, admitem-se 10 perguntas de ME para interpretação,
outras 10 para gramática e uma composição no final,
por exemplo).
-
Os mais acreditados nesta metodologia dizem qualquer coisa do género
"dêem-me uma pergunta tradicional que eu a transformarei numa pergunta
de múltipla escolha" (isto sem discutir os parâmetros que
então se avaliam e a eficácia pedagógica de tal pergunta
de ME - que pode tornar-se mais fácil ou difícil para o aluno,
que pode testar mais ou menos este ou aquele aspecto, etc).
-
Recomendam-se perguntas com 4 a 6 hipóteses de respostas das quais
apenas uma é correcta (o programa permite, todavia, a hipótese
de variar o número de alternativas ou de admitir mais do que uma
resposta certa).
-
Fazer um teste de ME dá um certo «gozo» pois o professor
elabora uma pergunta e tem que pensar o que poderão os alunos responder,
prevendo assim eventuais erros, que podem ser incluídos como alternativas
incorrectas.
-
Fazer um teste desta natureza demora mais tempo do que um teste tradicional.
Mas torna-se um excelente investimento do ponto de vista de tempo pelo
que se poupa na correcção e concepções de novos
testes, a partir da base de dados de perguntas entretanto criada (para
não falar da possibilidade de troca de perguntas entre colegas ou
do fornecimento de bases de dados de perguntas, por quem as produza comercialmente
com qualidade. A Internet será, com toda a certeza, um espaço
propício a intercâmbio de informação digitalizada
para testes de ME).
5) Receptividade do programa junto dos professores
Os professores têm reagido muito positivamente a este programa.
O suporte de distribuição do programa é o Projecto
Softciências. Trata-se de uma acção comum das Sociedades
Portuguesas de Física, Química e Matemática para a
produção e divulgação de software educativo.
Esta instituição não tem objectivos comerciais o que
facilita a distribuição de programas em maior escala. Até
ao momento já foram distribuídas cerca de 2000 unidades do
programa ZERO, individualmente ou incluído no CD-ROM de software
educacional intitulado «Omniciência».
Registam-se algumas posturas mais cépticas, não tanto
em relação à eficácia e utilidade do programa,
mas à própria validade pedagógica dos testes de ME.
Por ocasião de sessões de divulgação do
programa, têm-se gerado debates interessantes sobre o enquadramento
pedagógico deste tipo de testes, assim precipitados pelo aparecimento
deste programa de computador.
Existem algumas experiências de dificuldade técnica no
modo de funcionamento do programa, nomeadamente em relação
à correcção óptica por scanner. Matéria
insuficiente, porém, para desencorajar os utilizadores do ZERO.
Está em curso um levantamento sistemático sobre a reacção
da comunidade escolar ao programa bem como uma avaliação
objectiva dos seus resultados. As impressões do momento são
globalmente positivas e francamente encorajadoras. Motivaram, por isso,
a concepção de nova versão do programa.
6) Consequências que pode ter a dinamização e
expansão deste Projecto
A utilização deste programa por um número significativo
de docentes promoverá, como referimos no início deste manual,
o incremento de testes formativos, de testes de detecção
de concepções prévias dos alunos, de testes-diagnóstico,
de sociometrias de grupos. Poderá ainda facilitar o tratamento de
inquéritos em larga escala.
Para aqueles que reconhecem, sem qualquer absolutismo, a validade desta
ferramenta, será interessante expandir o número de dinamizadores
e utilizadores de testes de ME.
Está em perspectiva a criação de "Clubes de Professores"
nas diversas áreas disciplinares, no sentido de facilitar o intercâmbio
de experiências e de ficheiros informáticos para se aumentar
a base-de-dados de perguntas de cada professor. Na Internet, entretanto,
há já um endereço para permuta de perguntas de escolha
múltipla por áreas disciplinares (http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/zero2/permuta.htm).
Serão igualmente lançados, dentro em breve, conjuntos de
testes-diagnóstico, testes formativos, testes de detecção
de conceitos alternativos e testes sumativos nas diversas áreas
disciplinares, criados por um grupo de professores. Se os últimos
exigem algum tempo de concepção pelo sigilo e especificidade
que devem encerrar, os três primeiros podem ser do domínio
público. No caso, não serão só ZERO segundos
a corrigir, mas também ZERO segundos a "conceber"…
Na área das Ciências Físico-Químicas
já há bases de dados bastante vastas, com bancos de perguntas
de ME de cerca de 3000 perguntas. Algumas estão já disponíveis
em:
http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/zero2/assuntos/testafq/8ano/fisica/8anof.htm
Não podemos deixar de referir que o grande trunfo
do programa é a optimização da gestão do tempo
do professor. E este argumento, para quem – como muitos – tem muitos testes
para ver (e perde oportunidades pedagógicas por isso) é tudo
menos um argumento secundário!
7) Alterações para a nova versão
do programa ZERO
A versão 3.0, cujo desenvolvimento está
em curso apresenta bastantes melhorias, que se sistematizam seguidamente:
-
Interface mais amigável e optimizado para ambiente
Windows.
-
Geração dos testes mais eficaz (exterior ao
processador de texto, contrariamente ao que acontece actualmente).
-
Melhoria no que toca à compatibilidade universal com
scanner.
-
Mais ferramentas de tratamento estatístico de resultados.
Apontamos finalmente, com destaque, aquele que consideramos
ser o mais importante acrescento da nova versão:
-
Ligação com uma eficaz BASE DE DADOS DE PERGUNTAS,
compatível com o processador de texto Word, e de fácil
manipulação.
8) Como obter o programa e/ou mais informações
sobre ele
Para adquirir o programa sugerimos o recurso ao endereço:
http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/soft_c.html
A página específica do programa encontra-se
em:
http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/soft15.htm. Desta
página é caso particular o manual do programa (http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/zero2/indice.htm).
A área de permuta (só desenvolvida, por
enquanto, em Ciências Físico-Químicas) está
disponível em:
http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/zero2/permuta.htm
Exemplos de Bases de dados de perguntas estão
acessíveis em: http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/zero2/assuntos/testafq/8ano/fisica/8anof.htm
REFERÊNCIAS
-
Hancock, Gregory-R., Cognitive Complexity and the Comparability
of Multiple-Choice and Constructed-Response Test Formats., Journal-of-Experimental-Education;
1994, 62, 143-57.
-
Hoepfl, Marie-C., Developing and Evaluating Multiple Choice
Tests., Technology-Teacher; 1994, 53, 25-26.
-
Killoran, James, In Defense of the Multiple-Choice Question.,
Social-Education; 1992, 56, 106.
-
Powell, J.-C.; Shklov, N.,Obtaining Information about
Learners' Thinking Strategies from Wrong Answers on Multiple-Choice Tests.,
Educational-and-Psychological-Measurement; 1992, 52, 847.
-
Scouller, Karen-M.; Prosser, Michael, Students' Experiences
in Studying for Multiple Choice Question Examinations., Studies-in-Higher-Education;
1994, 19, 267-79.