O PROGRAMA ZERO: CONCEPÇÃO E CORRECÇÃO
ÓPTICA DE TESTES DE MÚLTIPLA ESCOLHA

João Carlos Paiva
Carlos Paredes
jcpaiva@nautilus.fis.uc.pt
Fax: 351 – 39 – 402782




Apresenta-se um programa de computador intitulado ZERO, que corrige e concebe testes de múltipla escolha.

A oportunidade de um programa desta natureza é contextualizada na problemática da avaliação.

É feita uma descrição do modo de funcionamento do programa, enfatizando as suas potencialidades.

Dá-se conta de algumas estratégias relacionadas com testes de múltipla escolha e aborda-se o impacto do programa junto dos professores.

Finalmente apresentam-se algumas das novas ideias a implementar na versão 3.0, que está a ser desenvolvida.
 
 

1) Porquê o Projecto ZERO?

Adiantamos, desde já, a razão do nome «zero». Trata-se do tempo que se gasta na correcção de testes, se forem aproveitados recursos informáticos relativamente comuns. As novas tecnologias poderão, mais uma vez, alterar os hábitos em diversos domínios e promover a qualidade no e do trabalho.

Quem se movimenta em «terrenos pedagógicos» sabe o peso que os professores suportam por terem, tantas vezes, de corrigir massivamente um grande número de testes. As consequências desta sobrecarga para o professor, prendem-se com alguma falta de tempo e de frescura psicológica para relações pedagógicas fundamentais. Os alunos, por seu turno, não nutrem grande simpatia por testes entregues muito tardiamente.

Por outro lado, é a dificuldade na correcção de testes que muitas vezes inibe o professor de detectar concepções prévias nos alunos, de fazer testes-diagnóstico, de elaborar sociometrias de turma ou de escola ou de avaliar formativamente os alunos em sucessivos momentos.

As correntes modernas de ensino apontam para o conhecimento por parte do professor do património cognitivo do aluno antes da aprendizagem formal. Também a avaliação formativa se tem evidenciando como fundamental. A maioria dos professores, porém, não consegue impregnar a sua prática pedagógica com estas tendências. Não será tanto falta de convicção mas falta de condições reais (por exemplo, falta de tempo).

A «ferramenta informática» que apresentamos pode minimizar muitas destas dificuldades e facilitar a implantação de tendências pedagógicas imprescindíveis.

Mas é talvez nos momentos de avaliação sumativa, ao nível dos ensinos básico, secundário e universitário, que este apoio técnico pode verdadeiramente aliviar o professor e libertá-lo para outras frentes pedagógicas (e tem-se aqui uma evidência para o paradoxal reforço dos aspectos mais humanos à custa de novas tecnologias!). Não podendo ser exclusiva (e não comprometendo, por isso, a avaliação diferenciada), a avaliação por testes de múltipla escolha (adiante ME), intercalada e/ou combinada com esquemas de avaliação tradicional, pode ser factor de promoção real da qualidade pedagógica.

Foi recolhido um conjunto vasto de bibliografia que apoia a validade dos testes de múltipla escolha na avaliação dos alunos, e fornece algumas técnicas para a concepção destes testes, tanto específicas de cada disciplina como globais. Atenda-se, por exemplo, a Hancock 1994, Killoran 1992 e Scouller 1994.

Em certas áreas disciplinares mais do que noutras, e sem carácter de exclusividade, os testes de múltipla escolha são, de facto, uma mais valia pedagógica.

Finalmente, o programa pode também ser uma grande ajuda para a leitura de inquéritos em grande número e ao respectivo tratamento, desde que tais inquéritos possam ser elaborados com esquemas simples de múltipla escolha.

A eficácia da avaliação depende dos objectivos que ela compreende. Há que não ser dogmático nem céptico em relação à metodologia de testes ME. Esta ferramenta informática pode trazer alguns trunfos a favor da utilização destes testes, sempre recomendada com moderação.
 
 

2) Modo de funcionamento do programa
 

O programa funciona em estreita ligação com o processador de texto Word da Microsoft. Os testes são elaborados normalmente, sujeitos a algumas regras de estruturação que apresentamos seguidamente.

A correcção dos testes é potenciada com o uso de um scanner com alimentador automático, sendo possível, porém, desfrutar do programa sem esta peça de hardware.

O programa é distribuído com o respectivo manual, que apresenta todas as indicações necessárias ao seu bom funcionamento.
 

a) Lista de comandos e seu significado

O acesso às várias opções é possível com o rato ou, alternativamente, premindo a letra que se encontra sublinhada em cada uma das opções.

Os comandos principais encontram-se na opção FERRAMENTAS (TOOLS) do menu principal do processador de texto Word. (ver Figura 1)

Figura 1: Opções principais acessíveis na opção FERRAMENTAS (TOOLS) do menu principal do processador de texto Word.



Os comandos são os seguintes:

As opções disponíveis no programa ZERO, de correcção de testes, são as seguintes:
 
 

- Geral:
 
 

- Funções:
 
  - Ajuda:
 
   
 
b) Procedimento para conceber e corrigir um teste

Figura 2: Janela do programa de corrigir testes.



 
 
 
 


 

Figura 3: Lendo um ficheiro de respostas.

Figura 4: Janela para impressão de respostas nos testes já feitos pelos alunos.



 
 
 
 

c) Se tem um scanner, tudo é mais simples!

3) Fazendo um teste de ME: um exemplo simples


Atende na figura seguinte à qual se referem as perguntas 1 a 5. Esta figura dá conta da contribuição de várias centrais de produção energética para a poluição. A poluição pode ser de três tipos: térmica (aumento da temperatura do planeta), química (produção de substâncias químicas poluentes) e radioactiva (produção de radiações perigosas para o meio).
 


Figura 5: Quadro de um enunciado de um teste de ME para o 9º ano.




Qual das centrais contribui mais significativamente para a poluição química do planeta?
 
A carvão Biomassa Nenhuma das opções é correcta
A gás natural Nuclear A petróleo

 

15. Um copo com 200 g de água é aquecido de tal forma que a temperatura da água passa de 10 °C para 90 °C. A energia transferida para a água sob a forma de calor foi: (Cágua= 1 cal / (g °C))
Nenhuma das opções é correcta 16 cal 1600 J
2,5 cal 160 cal

 

24. Qual das afirmações seguintes é verdadeira?
 
A Física é uma ciência interessante.
O equilíbrio térmico, de facto, nunca se atinge.
Calor é o mesmo que trabalho.
Calor é o mesmo que temperatura.
A temperatura é uma medida da energia interna dum corpo.
Calor é uma substância.
Um corpo que esteja muito quente tem as suas partículas pouco agitadas.


 





PARTE II (Usa o espaço desta página e o verso desta folha para responderes à PARTE II do teste)

Desenvolve, em não menos de 10 e em não mais do que 20 linhas, o seguinte tema: "Utilização racional de energia. A urgência de promover um uso equilibrado de energia"

NOTA: Podes usar rimas, diálogos, histórias e tudo o mais que a tua imaginação sugira.
 
 

Figura 6: Folha de Respostas gerada automaticamente pelo programa ZERO.


4) Tópicos para experiências piloto de concepção de Testes de Múltipla Escolha
 

Nota PRELIMINAR: há toda uma investigação moderna e uma metodologia específica para a concepção de perguntas ME. Recolheram-se cerca de 1500 referências bibliográficas sobre o assunto, nas mais variadas áreas disciplinares. Apresentamos aqui, a título de exemplo, referências de Hoepfl 1994 e Powell 1992. As sugestões seguintes são pois resumidas e claramente simplistas, mas talvez práticas e úteis. Os "testes-exemplo" que acompanham este programa têm também esta componente prática: já foram testadas pedagogicamente com sucesso embora não tenham sido alvo de uma investigação sistemática e aprofundada. Alguns apontamentos:


 

5) Receptividade do programa junto dos professores

Os professores têm reagido muito positivamente a este programa. O suporte de distribuição do programa é o Projecto Softciências. Trata-se de uma acção comum das Sociedades Portuguesas de Física, Química e Matemática para a produção e divulgação de software educativo. Esta instituição não tem objectivos comerciais o que facilita a distribuição de programas em maior escala. Até ao momento já foram distribuídas cerca de 2000 unidades do programa ZERO, individualmente ou incluído no CD-ROM de software educacional intitulado «Omniciência».

Registam-se algumas posturas mais cépticas, não tanto em relação à eficácia e utilidade do programa, mas à própria validade pedagógica dos testes de ME.

Por ocasião de sessões de divulgação do programa, têm-se gerado debates interessantes sobre o enquadramento pedagógico deste tipo de testes, assim precipitados pelo aparecimento deste programa de computador.

Existem algumas experiências de dificuldade técnica no modo de funcionamento do programa, nomeadamente em relação à correcção óptica por scanner. Matéria insuficiente, porém, para desencorajar os utilizadores do ZERO.

Está em curso um levantamento sistemático sobre a reacção da comunidade escolar ao programa bem como uma avaliação objectiva dos seus resultados. As impressões do momento são globalmente positivas e francamente encorajadoras. Motivaram, por isso, a concepção de nova versão do programa.
 
 

6) Consequências que pode ter a dinamização e expansão deste Projecto

A utilização deste programa por um número significativo de docentes promoverá, como referimos no início deste manual, o incremento de testes formativos, de testes de detecção de concepções prévias dos alunos, de testes-diagnóstico, de sociometrias de grupos. Poderá ainda facilitar o tratamento de inquéritos em larga escala.

Para aqueles que reconhecem, sem qualquer absolutismo, a validade desta ferramenta, será interessante expandir o número de dinamizadores e utilizadores de testes de ME.

Está em perspectiva a criação de "Clubes de Professores" nas diversas áreas disciplinares, no sentido de facilitar o intercâmbio de experiências e de ficheiros informáticos para se aumentar a base-de-dados de perguntas de cada professor. Na Internet, entretanto, há já um endereço para permuta de perguntas de escolha múltipla por áreas disciplinares (http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/zero2/permuta.htm). Serão igualmente lançados, dentro em breve, conjuntos de testes-diagnóstico, testes formativos, testes de detecção de conceitos alternativos e testes sumativos nas diversas áreas disciplinares, criados por um grupo de professores. Se os últimos exigem algum tempo de concepção pelo sigilo e especificidade que devem encerrar, os três primeiros podem ser do domínio público. No caso, não serão só ZERO segundos a corrigir, mas também ZERO segundos a "conceber"…

Na área das Ciências Físico-Químicas já há bases de dados bastante vastas, com bancos de perguntas de ME de cerca de 3000 perguntas. Algumas estão já disponíveis em:

http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/zero2/assuntos/testafq/8ano/fisica/8anof.htm

Não podemos deixar de referir que o grande trunfo do programa é a optimização da gestão do tempo do professor. E este argumento, para quem – como muitos – tem muitos testes para ver (e perde oportunidades pedagógicas por isso) é tudo menos um argumento secundário!
 
 
 

7) Alterações para a nova versão do programa ZERO

A versão 3.0, cujo desenvolvimento está em curso apresenta bastantes melhorias, que se sistematizam seguidamente:

Apontamos finalmente, com destaque, aquele que consideramos ser o mais importante acrescento da nova versão:

8) Como obter o programa e/ou mais informações sobre ele
 

Para adquirir o programa sugerimos o recurso ao endereço:

http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/soft_c.html

A página específica do programa encontra-se em:

http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/soft15.htm. Desta página é caso particular o manual do programa (http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/zero2/indice.htm).

A área de permuta (só desenvolvida, por enquanto, em Ciências Físico-Químicas) está disponível em:

http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/zero2/permuta.htm

Exemplos de Bases de dados de perguntas estão acessíveis em: http://nautilus.fis.uc.pt/~spf/soft_c/zero2/assuntos/testafq/8ano/fisica/8anof.htm
 
 
REFERÊNCIAS