TECNOLOGIAS PARA EDUCAÇÃO ESPECIAL

Márcia de Borba Campos
Milene Selbach Silveira
marciabc@cglobal.pucrs.br
milene@inf.pucrs.br

FAX: 55 051 320-3758

O presente trabalho, além de conter informações sobre a Educação Especial e algumas deficiências, apresenta um estado da arte sobre a Informática nesta área onde analisa alguns software. Por fim, apresenta-se algumas alternativas de interface salientando-se o que deve ser favorecido e/ou evitado em um ambiente informatizado para Educação Especial.

Introdução
 

A popularização do computador com sua utilização em diversas áreas é, hoje, fato inquestionável, assim como a afirmação do uso da Informática na Educação e o crescente desenvolvimento e utilização de software educacionais.

Entretanto, pode-se observar a pouca atenção dispendida a diversidade de usuários que um software possa ter. Aqui, enfatiza-se principalmente software ditos para a Educação Especial.

Ninguém é igual a outro. Todos somos diferentes mas com algumas características comuns. Cada indivíduo aprende de uma forma diferente dependendo de seu canal preferencial. Deve-se ter em mente, então, este canal perceptivo afim de que se possa motivar e facilitar a compreensão ou o aprendizado do sujeito.

Quando se fala em software educacional para a Educação Especial, o que se pensa em primeiro lugar são os aspectos da interface. Porém, como afirma [ORT93], não é o fato de se usar uma interface gráfica, multicolorida, etc., que melhora a efetiva comunicação com os usuários.

O termo interface, conforme [LEV93], remete a duas definições:

Ambas remetendo ao estabelecimento de contato entre meios heterogêneos. onde deve-se conhecer o usuário alvo e projetar a interface para este utilizando-se, ou não, de dispositivos especiais de entrada e saída com o intuito de que a utilização do referido software não seja objeto de estudo em si,

Este trabalho, primeiramente, apresenta informações sobre a Educação Especial e algumas deficiências porque pensa-se que estes são o feedback mínimo necessário para pessoas que trabalham com Informática nesta área. Após, apresenta-se um estado da arte em Informática na Educação Especial onde se caracterizam alguns software. Por fim, apresenta-se informações relativas ao que se deve privilegiar e evitar em uma interface no que se relaciona a apresentação das informações na tela e utilização de ajudas técnicas, também chamadas de tecnologias assistentes.
 
 

Educação Especial
 

A Educação Especial tem os mesmos objetivos que a geral sendo dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana. Tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho [LDB96].

Ainda, segundo a nova Lei de Diretrizes e Bases Brasileira [LDB96], entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais.

A diferença básica entre a educação geral e a especial é dada em termos de local de atendimento, tipo de material pedagógico, currículo trabalhado, profissional envolvido e individualização no atendimento.

Em [MAZ96], Educação Especial é definida como a modalidade de ensino que se caracteriza por um conjunto de recursos e serviços educacionais especiais organizados para apoiar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação formal dos educandos que apresentem necessidades educacionais muito diferentes das da maioria das crianças e jovens. Tais educandos, também denominados de "excepcionais", são justamente aqueles que hoje têm sido chamados de "deficientes" ou "alunos com necessidades educacionais especiais". Entende-se que tais necessidades educacionais especiais decorrem da defrontação das condições individuais do aluno com as condições gerais da educação formal que lhe é oferecida.

Ainda este autor ressalta que é preciso não se perder de vista a importante observação de que nem todo protador de deficiência requer ou requererá serviços de educação especial, ainda que possa necessitar de tratamento ou intervenção terapêutica (habilitação ou reabilitação) em função de suas condições físicas ou mentais.

Segundo o Ministério de Educação, [INF97], a educação especial visa a recuperação e integração sócio-educativas dos indivíduos com necessidades educativas específicas devidas a deficiência físicas e mentais.

Mas quem são pessoas deficientes? Uma pessoa deficiente não pertence a uma classe ou categoria profissional. Este termo serve para caracterizar pessoas que diferem das demais devido a suas disfunções físicas, sensoriais, orgânicas ou mentais. São pessoas que nasceram com ou adquiriram um déficit intelectual, físico ou orgânico - o que não as impede de serem respeitadas enquanto cidadãos com direitos e deveres.

O Centro de Informações Multieducação, [ME25], define que portadores de necessidades especiais são portadores de deficiência física, mental, auditiva e visual, portadores de altas habilidades, e os portadores de condutas típicas de síndrome.

Segundo a International Classification of Impairments, Disabilities and Handicaps [AZE95], uma pessoa com uma necessidade especial é uma pessoa com uma falta ou uma restrição de capacidades para executar atividades, tarefas, habilidades e comportamentos na forma ou âmbito considerado normal para um ser humano.

Outra definição, que dá uma idéia bem clara das dificuldades é que a deficiência seria o gap entre as habilidades que o usuário possui e as demandas do ambiente, ou seja, tudo que o ambiente necessita que o usuário saiba/possa fazer e o que ele realmente pode/consegue fazer.

Mas há alguma diferença entre os termos deficientes e portador de necessidades educativas especiais? Sim. Novos estudos tem demonstrado que o último, por ser mais amplo, além de trabalhar a própria deficiência em si, também se preocupa com as metodologias e recursos educacionais para atender as necessidades especiais. Assim, pode-se classificar meninos de rua como portadores de necessidades educacionais especiais.
 
 

Reabilitação

A reabilitação existe a fim de, com auxílio de uma equipe multiprofissional, desenvolver as potencialidades e diminuir as limitações de pessoas portadoras de necessidades especiais, dentre as quais podem estar:


Deficiências

A seguir serão apresentadas informações sobre diferentes deficiências e/ou perturbações com o intuito de caracterizá-las.
 

Deficiência Visual

Classifica-se as dificuldades visuais em dois tipos básicos:

As principais causas deste problema são o glaucoma e a catarata congênitos, atrofia ótica, diabetes, queimaduras, acidentes e doenças infecciosas.

Dentre os problemas ocasionados por esta deficiência pode-se citar os de orientação no que diz respeito a sua percepção do ambiente e de sua localização neste (espaço global e imediato), e mobilidade que seria a sua interação com estes ambientes.
 
 

Deficiência Auditiva

O deficiente auditivo é aquele que possui perda total ou parcial da audição.

É possível classificar as dificuldades auditivas em:

As principais causas são a meningite, rubéola em gestante, acidentes e poluição sonora.
 
 

Dificuldades de Fala d Linguagem

O deficiente de fala é aquele com um padrão de fala limitado ou dificultoso. [DRB97].

Existem vários problemas relacionados a este tipo de dificuldade como afasias (perda total ou parcial da linguagem por lesão neurológica), disartria (comprometimento da fala também por lesão neurológica ou choque térmico), disfonia (alterações das qualidades vocais), dislalias (má articulação das palavras) e disfemia (gagueira).
 
 

Dificuldades Físicas/Motoras

O deficiente físico é aquele que possui algum tipo de paralisia, limitações do aparelho locomotor, amputados, etc.

É possível classificar a deficiência física em:

A paralisia cerebral é um fator que pode ser citado neste âmbito. Ela é um grupo de limitações psico-motoras resultantes de lesão no sistema nervoso central. Ela oferece diferentes níveis de comportamento.
 
 

Deficiência Mental

A deficiência mental, segundo a Associação Americana de Desenvolvimento Mental, é a condição na qual o cérebro está impedido de atingir um desenvolviemnto adequado dificultando a aprendizagem no indivíduo, privando-o de ajustamento social.

Uma das várias classificações para a deficiência mental, segundo a American Association of Mental Deficiency é a seguinte:
 
 

Tabela 1: Classificação de deficiência mental


 
Stanford Binet

QI

Wechsler

QI

Ligeira
68-52
69-55
Moderada
51-36
54-40
Severa
35-20
39-25
profunda
< 10
< 24

 

As principais causas são:

Como objetivos da intervenção pedagógica nestes casos tem-se: Síndrome De Down

A síndrome de Down caracteriza-se pela trissomia cromossômica no par 21 resultando, ao invés de 46 cromossomos por célula, 47 sendo a presença deste cromossomo a mais determinada por um acidente genético.

Como é uma síndrome não há uma causa certa para o aparecimento podendo ocorrer com qualquer casal, independente de faixa etária e herdada em poucos casos.

As características principais dos portadores desta são: olhos amendoados, uma prega na palma da mão e, eventualmente, hipotonia muscular.
 
 

Autismo

O sintoma principal do autismo é o isolamento e as características principais são:

Como a Síndrome de Down, o Autismo é uma Síndrome, não se sabem as causas mas náo é genético e nem contagioso.

Alguns sintomas iniciais de comportamento, em conjunto, podem sugerir o diagnóstico:

Distúrbio De Aprendizagem

São dificuldades na leitura e/ou na escrita gerando, por exemplo, a troca e inversão de fonemas e/ou sílabas, junção de palavras, omissão de sílabas ou palavras, etc., sendo as causas muito variadas desde problemas psicomotores até afetivos ou de visão e audição.

As falhas de percepção visual podem gerar trocas de fonemas com semelhanças visuais (p x d) ou na memorização da forma visual da palavra (casa x caza). Para remediar esta situação pode ser feito treinamento na estimulação visual, através de discriminação visual, posicionamento espacial, figura e fundo, coordenação viso-motora e memória visual e no conhecimento da língua em termos semântico e gramatical.

As falhas de percepção auditiva podem gerar trocas de fonemas com semelhanças auditivas (t x d, f x v, c x g) ou na memorização da seqüência auditiva da palavra (preda em vez de pedra). Para remediar esta situação pode ser feito treinamento de percepção auditiva, através de discriminação e memória auditiva.

Estudos têm demonstrado, [FON97], que, muitas vezes, a aprendizagem depende basicamente da motivação e, sendo assim, muitas vezes o que se chama de dificuldade de aprendizagem é basicamente dificuldade de ensino.

Superdotados

O superdotado é o aluno cujo desempenho em uma linha potencialmente valiosa de atividade humana, é consistentemente invulgar. Ele pode ser classificado em superdotado (que tem um desempenho maior em uma área ampla) e talentoso que tem um talento para uma área específica.

O superdotado necessita de mais educação geral, principalmente nos primeiros anos enquanto o talentoso necessita experiências dirigidas ao seu talento específico.

Como características positivas e negativas destas pessoas pode-se citar:
 
 

Tabela 2: Características dos superdotados


Características Positivas:
  • aprender rápida e facilmente;
  • reter o que aprendem, sem muito exercício;
  • curiosidade;
  • vocabulário rico;
  • leitura a nível maduro;
  • interesse por palavras e idéias;
  • dedução e rapidez de compreensão;
  • gosto por examinar, tabular e classificar;
  • apreciação de muitas coisas;
  • interesse na natureza humana;
  • amigos mais velhos;
  • bom senso de humos;
  • desejo de vencer
Características Negativas:
  • inquietos;
  • desatentos;
  • perturbadores;
  • inoportunos;
  • deficiência na ortografia e escrita;
  • imprecisão aritmética;
  • descuido e desinteresse;
  • críticas.
 

Informática na Educação Especial

Agora que já se tem uma visão das características gerais das diferentes deficiências, pode-se analisar o uso da Informática por pessoas portadoras de necessidades educacionais especiais, seja por meio de software educacionais seja por meio de ajudas técnicas, tamém chamadas de tecnologia assistente.

Cabe salientar que, fazendo-se uma retrospectiva dos últimos congressos e simpósios na área de Informática na Educação, pode-se observar uma tímida mas constante presença de relatos de projetos na área de Educação Especial. Destes, alguns descrevem software fechados desenvolvidos para indivíduos com alguma necessidade especial em específica. Outros, por sua vez, utilizam ambientes abertos como o Logo, ToolBook e mais recentemente a própria rede mundial, a Internet, como um auxílio a educação/reeducação/meio de reabilitação desses indivíduos fazendo, ou não, uso de dispositivos de entrada/saída especiais.
 

Ajudas Técnicas

Também chamadas de tecnologia assistente é a aplicação de uma tecnologia conhecida em favor da deficiência. Pode ser usada para:

Voltando a definição inicial de deficiência quanto ao gap entre demandas do ambiente e capacidades do usuário, pode-se tentar reduzi-lo, através de disposivitos como teclado e impressora em Braille, teclados de conceito, telas ampliadas, telas sensíveis ao toque ou ao sopro, caixas de som, pulsadores, apontadores de cabeça, joysticks, etc,

Deficiência Motora

O maior impedimento de um portador de deficiência motora ao usar o computador talvez seja a grande necessidade de utilização da motricidade fina (uso das mãos e dos dedos) para manusear, por exemplo, o teclado convencional ou o mouse, e da ampla (uso dos braços, pernas e tronco) para, por exemplo, controlar os movimentos dos braços, manter a cabeça ereta ou se firmar na cadeira.

A maioria dos ambientes voltados a usuários com problemas motores fazem uso de teclados em tamanho ampliado, tela sensível ao toque quando o usuário apresenta razoável controle sendo que, quando a pessoa apresenta movimentos involuntários ou tremores, utilizam estas telas com um atraso de input ajustável à dificuldade motora. Outros também utilizam tela sensível ao sopro e próteses como pulsadores e apontadores em substituição ao mouse ou teclado convencional que podem, ou não, ser utilizados em conjunto com um software que simulam, na tela do computador, o funcionamento de um destes dispositivos de entrada.

Santarosa, em [SAN97], apresenta um simulador de teclado para portadores de paralisia cerebral onde este simula, na tela do computador, uma representação do teclado convencional agregando um sistema de varredura contínua que ilumina cada um dos caracteres apresentados na tela. Este simulador pode ser utlizado por qualquer pessoa alfabetizada que consiga movimentar alguma parte do corpo sendo, para estes casos, utilizado junto com um dispositivo chamado acionador que pode ser um apontador (muitas vezes utilizado preso a cabeça da pessoa) ou a um pulsador (usado junto ao pescoço ou aos pés). Com este programa, a pessoa pode utilizar sistemas operacionais, editores de texto, banco de dados, linguagens de programação, etc.

ENERI, [ENE97], é um outro exemplo de um processador de texto que apresenta o teclado na tela do computador e, através de um sistema de varredura, o usuário pode escrever seu texto. Este programa também apresenta a opção de se adaptar ao ritmo do usuário.

Outros programas simuladores de teclado e/ou mouse podem ser vistos na tabela abaixo (Tabela 3), apresentada por Silveira, em [SIL95].
 
 

Tabela 3: Simuladores de Teclado e/ou mouse



Deficiência Motora e de Fala

Algumas pessoas, além de possuírem deficiência motora apresentam, também, danos na fala. Nestes casos, existem sistemas de comunicação alternativa e aumentativa que fazem uso, por exemplo, de sistemas gráficos de comunicação (PIC, SPC, Bliss), de processos de varredura na tela do computador, aliados, ou não, a alguma prótese.

Sistemas comunicadores em forma de tabuleiro são os mais utilizados e consistem em apresentar os símbolos (referentes a palavras, ações, objetos), dispostos em forma quadrangular, na tela do computador. O usuário com a utilização de um sistema de varredura sequëncial, escolhe a opção desejada e, desta forma, constrói as frases.

O sistema FALAS - Ferramenta Alternativa de Aquisição Simbólica - desenvolvido por Silveira, [SIL95], é um destes sistemas comunicadores com a ressalva que, além de recursos de multimídia, também utiliza técnicas de inteligência artificial sendo possível, neste caso, o sistema se adaptar automaticamente às preferências do usuário no que diz respeito a disposição dos símbolos segundo sua freqüência de utilização, velocidade de varredura das opções na tela, ajuda no aprendizado dos símbolos, etc., que são feitos com o auxílio do histórico pessoal que é gerado pelo sistema durante sua utilização.

Capovilla, em [CAP97], apresenta alguns sistema computadorizados de comunicação para deficientes de fala. São eles:

Deficiência Visual Software para deficientes visuais utilizam basicamente magnificadores de tela ou ampliação dos caracteres na tela do computador para aqueles que possuem perda parcial da visão, e recursos de áudio, teclado e impressora em Braille para os com perda total da visão.

Dentre os sistemas para deficientes visuais citamos:

Existem, também, sistemas que utilizam tecnologias mais avançadas como o uso de som tridimensional facilitando a navegação em sistemas onde é possível distinguir de onde vem o som. Um exemplo de sistema que faz uso deste recurso é a hiperhistória criada por Lumbreras, [LUM93]. Outros, utilizam realidade virtual com a possibilidade de manipulação de objetos e opções por meio de algum tipo de luva, [LUM96].

Também cabe salientar que podemos encontrar vários sites na Internet com a possibilidade de ampliar o tamanho das letras na tela facilitando, assim, o acesso por pessoa com dificuldade de visão.
 
 

Deficiência Auditiva

A algum tempo atrás, o que se podia observar no uso do computador por surdos, eram projetos/software para treinamento de voz ou aquisição de vocábulos sendo utilizando a língua portuguesa como meio para tal.

Hoje, porém, parece surgir uma nova linha de desenvolvimento de software que é regida, em primeiro lugar, pelo respeito à língua natural dos surdos, a língua de sinais, seja em sua interface ou na sua utilização.

A seguir, alguns exemplos de projetos e/ou software para surdos:

Alem destes, pode-se encontrar software para ensino de língua de sinais que fazem uso de animações e filmes.
 
 

Deficiência Mental

A maioria dos software utilizados em pessoas portadoras de deficiência mental são software abertos. Poucos são os softwares voltados especificamente para estes usuários uma vez que qualquer software que estimule a percepção auditiva e perceptiva, o desenvovimento psicomotor, podem ser utilizados.

Neste sentido, na literatura encontramos diversos projetos com o ambiente LOGO onde estimula-se, também, o desenvolvimento lógico-matemática e a abstração.
 
 

Distúrbios de Aprendizagem

Ainda podemos encontrar sofware voltados a crianças com dificuldades de aprendizagem decorrentes de falhas, por exemplo, no desenvolvimento psicomotor. De uma maneira geral, estes softwares utilizam atividades lúdicas para ou reter a atenção da criança ou estimular sua orientação espaço-temporal.

Campos, [CAM96], desenvolveu um sistema hipermídia para apoio às relações espaço-temporal e laterialidade baseado em hiperhistória. O referido protótipo tem por objetivo estimular o desenvolvimento psicomotor através de tarefas que devem ser desenvolvidas no decorrer da história.

Existem muitos outros softwares que tem por objetivo estimular a percepção auditiva, visual, figura-fundo, seriação, classificação, memorização, etc. através de jogos computadorizados ou de atividades desenvolvidas no LOGO.
 
 

INTERFACE
 

Analisando alguns software ditos para Educação Especial podemos observar que alguns se quer respeitam as especificidades de seu público-alvo e nem fazem uso de recursos que poderiam diminuir o gap da interface homem-máquina.

Para a utilização de software com portadores de alguma deficiência ou dificuldade deve-se, antes, verificar quais as necessidades do sujeito e avaliar quais as preferências deste quanto a um ou outro sistema de representação para comunicação para, após, se escolher um software.

Já, para a construção de um software para Educação Especial deve-se, antes de tudo, ter atenção na formação da equipe multidisciplinar que fornecerá as diretrizes básicas para este devendo fazer parte desta, além de programadores, especialistas como psicólogos, teraputas ocupacionais, professores, e outros, conforme o caso.

A seguir apresentamos alguns requisitos de interface de software educacional para a Educação Especial no que diz respeito à representação das informações e utilização de ajudas técnicas na comunicação (periféricos especiais). Para fins de organização, estas informações foram organizadas em tabelas.
 
 

Interface X Deficiência motora com ou sem dificuldade de fala

Através da análise de alguns software para portadores de deficiência motora, pode-se observar que muitos utilizaram o mecanismo de varredura das opções com predição de palavras e ajudas técnicas como, principalmente, pulsadores e apontadores obtendo resultados positivos. Por outro lado, pode-se, também, encontrar na descrição de outros o uso de pequenos ícones onde a pessoa deveria interagir com estes.

Ora, fazendo um paralelo com as características do público-alvo, e já descritas neste trabalho, pode-se afirmar que este não é o tipo ideal de interface uma vez que estes usuários não possuem uma boa motricidade e, consequentemente, esta interação acarretará mais obstáculos ainda na utilização do referido software.
 
 

Tabela 4: Interface X Deficiência Motora




Interface X Deficiência visual

Até algum tempo atrás o que se tinha eram somente placas de som estrangeiras fazendo, deste modo, com que as pronúncias tivessem sotaque. Hoje, já podemos encontrar software que utilizam placas brasileiras.

Outros software mais sofisticados utilizam o recursos de som tridimensional possibilitando, assim, que o usuário cego possa efetar uma orientação espacial através deste.

Mas para pessoas com perda parcial da visão pode-se utlizar recursos simples como um aumento do tamanho das informações na tela. Na Internet já podemos encontrar sites que utilizam este recurso.

A tabela 5 ilustra a tabela referente a interface com relação a deficiência visual.
 
 



Tabela 5: Interface X Deficiência visual




Interface X Deficiência auditiva

Infelizmente, ainda se pode encontrar diversos software voltados para surdos que fazem uso de som com a justificativa de utilização de recursos multimídia. Ora a utilização deste recurso faz sentido para pessoas com restos auditivos e assim mesmo este deve ser em alto volume e de boa qualidade. Som do tipo aplausos ebibs devem ser evitados.

Ainda com relação à transmissão de informações pode-se encontrar software com texto utilizando gírias, metáfora, expressões pouco utilizadas, até mesmo para ouvintes, e textos longos. Sabendo. que a língua de sinais é a língua materna do surdo e a língua, por exemplo, portuguesa a segunda, deve-se ter cuidado na manipulação desta última. O ideal seria a utilização conjunta da língua dos surdos com a dos ouvintes.

A tabela 6 ilustra a tabela referente a interface com relação a deficiência auditiva.
 

Interface X Deficiência Mental

Através da pesquisa sobre a utilização de informática para/por deficientes mentais pode-se observar que esta se faz por meio de ambientes abertos do tipo do Logo por permitirem uma livre interação, interface acessível e grandes possibilidades de análise das interações. (tabela 7)
 
 



Tabela 6: Interface X Deficiência auditiva

Tabela 7: Interface X Deficiência mental



Interface X Superdotados

Superdotados ou talentosos são crianças que aprendem com facilidade, tem boa memória e possuem um rico vocabulário. Em contrapartida, são desatentos e inquietos. Devido a estas e outras características, os software para estes usuários devem utilizar recursos de multimídia para prender a atenção do usuário, hipertexto para estimular a curiosidade, permitir apresentação de informações na forma não-sequencial e propiciar uma maior interação. (tabela 8).
 
 

CONCLUSÃO
 
 

O que se recomenda para a construção de software educacional é, entre outras, a formação de uma equipe multidisciplinar. Para o desenvolvimento de software para a Educação Especial esta é dispensável e devem fazer parte psicólogos, professores e especialistas na área a ser trabalhada. Deve-se conhecer o usuário final do software, suas caracterísitcas e especificidades.

Neste trabalho o que se intencionou foi justamente informar o que é a Educação Especial, quem são pessoas portadoras de necessidades educacionais especiais, quais as caracterísitcas básicas de algumas deficiências. Acha-se que estes, aliados com a prática, são os feedback que se deve ter para trabalhar com Informática na Educação Especial.

Após, apresentamos o estado da arte em Informática na Educação Especial com o intuito de informar o que se tem feito nas diferentes áreas. Por fim, se apresentou uma análise com relação a apresentação das informações e a utilização de ajudas técnicas voltadas para as diferentes deficiências.

Cabe, por fim, informar que muitos software infelizmente ditos para a Educação Especial não atingem seus objetivos por falhas na sua modelagem.
 

REFERÊNCIAS
 

[COR96] CORDEIRO, Maria E. Ribeiro. titulo. Universidade Técnica de Lisboa. In.: CONGRESSO IBEROAMERICANO DE INFORMÁTICA EDUCATIVA, 3, 1996, Barranquilla. Memorias ... Barranquilla: SBC, 1996.

[DOS97] Projeto DOSVOX. http://www.nce.ufrj.br/aau/dosvox/

RODRIGUES, Andréa dos santos; MAIA, Pedro Fernandes. BIBLIVOX - Sistema de controle, cadastro e consulta bibliográfica vocal para deficientes visuais UFRN. In.:VII Congresso Internacional LOGO. 1995. fl.175.
 
 

ROSAS, Ricardo et al. Pontificia Universidad Católica de Chile. In.: III Congresso Iberoamericano de Informática na Educação. 1996.
 

 
 

SONIX - Entorno operativo para ciegos.

PINTOS, Emilia Beatriz; SAMPIETRO, Juan E.; GARCIA, Gustavo. G.I.A.I.T. - G.I.A.G.S.E. U.T.N. Regional Santa Fé. República Argentina. In.: III Congresso Iberoamericano de Informática Educativa
 
 

El toque mágico: sistema multimedia de apresto escolar para ninos ciegos.

ROSAS, Ricardo; Jaramillo, Andrea; HENDRICK, Bénédicte. KRAUSE, Marcela; JORDÁN, Juan. Pontificia Universidad católica de Chile. In.: III Congresso Iberoamericano de Informática na Educação. 1996.
 
 
 

Subsídios para uma análise das dificuldades de aquisição da língua escrita em crianças portadoras de visão subnormal

SOUZA, Janine C. Coutinho. Universidade Católica de Petrópolis. RJ. In.: VII Congresso Internacional LOGO. Porto Alegre. RS. 1995. fl. 182.
 
 

[ARA96] ARATO, A.; BARKASZI, M.; BUDAY, L.; VASPORI, T. Hybrid Books for the Blind - a new form of talking books. In: KLAUS, J.; AUFF, E.; KREMSER, W.; ZAGLER, E. (Eds.). Interdisciplinary Aspects on Computers Helping People with Special Needs - INTERNATIONAL CONFERENCE ON COMPUTERS HELPING PEOPLE WITH SPECIAL NEEDS, 5., 1996, Linz. Proceedings... Linz: [s.n.], 1996.

[AZE92] AZEVEDO, L.; PONTE, M.N. Programa FoCA - Formas para Comunicação Alternativa. In: Congreso Iberoamericano de Informática Educativa, 1., 1992, Santo Domingo. Memorias... Santo Domingo: [s.n.], 1992. p.76.

[AZE93] AZEVEDO, L.; PONTE, M.N. Sistemas Aumentativos de Comunicação e Ajudas Técnicas: a integração da tecnologia nas actividades pedagógicas. Quito: Escuela Politecnica Nacional, 1993. Curso proferido no Encuentro Iberoamericano de Informática y sus Aplicaciones.

[AZE95] AZEVEDO, L. (Ed.) Assistive Technology Training in Europe. Lisboa: HEART, 1995.

[BRO92] BROWN, C. Assistive Technology Computers and Persons with Disabilities. Communications of the ACM, New York, v.35, n.5, p.36-45, May 1992.

[CAM93] CAMPOS, M.B.; SILVEIRA, M.S.; LIMA, J.V. Protótipo de Software Hipermidial como Ferramenta de Auxílio a Aquisição de Vocabulário em Portadores de Deficiência Auditiva. In: Simpósio Brasileiro de Informática na Educação - SBIE, 4., 1993, Recife. Anais.... Recife: SBC, 1993.

[CAP93] CAPOVILLA, F. C. Informática Aplicada à Neuropsicologia. In: RODRIGUES, N.; MANSUR, L. L. (Eds.). Temas em Neuropsicologia. São Paulo: Sociedade Brasileira de Neuropsicologia, 1993. v.1, p.130-140.

[COO88] COOPER, M. Interfaces that Adapt to the User. In: SELF, J. (Ed.). Artificial Intelligence and Human Learning: Intelligent Computer Aided Instruction. New York: Chapman and Hall Computing, 1988. p.300-309.

[DEM92] DEMASCO, P.W.; McCOY, K.F. Generating Text from Compressed Input: An Intelligent Interface for People with Severe Motor Impairments. Communications of the ACM, New York, v.35, n.5, p.68-78, May 1992.

[DIE94] DIEGOLI, S.; KOCHHANN Jr., W.; DE LUCCA, J.E. Sistema Multimídia de Apoio ao Portador de Deficiência Auditiva. In: Simpósio Brasileiro de Informática na Educação - SBIE, 5., 1994, Porto Alegre. Anais.... Porto Alegre: SBC, 1994.

[GEO96] GEORGSDORF, W. MUDRA: Computer Assisted Sign Language Learning. In: KLAUS, J.; AUFF, E.; KREMSER, W.; ZAGLER, E. (Eds.). Interdisciplinary Aspects on Computers Helping People with Special Needs - INTERNATIONAL CONFERENCE ON COMPUTERS HELPING PEOPLE WITH SPECIAL NEEDS, 5., 1996, Linz. Proceedings... Linz: [s.n.], 1996.

[GIL93] GILL, J. (European Project on) Access to Graphical User Interfaces by Blind People. [S.l.]: GUIB Consortium, 1993. 13 p.

[GLI92] GLINERT, E.P; BRYANT, W.Y. Computer and People with Disabilities. Communications of the ACM, New York, v.35, n.5, p.32-35, May 1992.

[GOM93] GÓMEZ, F.A. Sistemas de Acceso al Ordenador y las Redes Telemáticas. In: Congresso Iberoamericano de Comunicação Alternativa e Aumentativa, 1., 1993, Lisboa. Anais... Lisboa: [s.n.], 1993.

[HIN96] HINKELMANN, K.; KAISER, M.; KIENINGER, T.; SEIDENSCHWANN, K.; WEISS, W. HYPERBRAILLE - An Interdisciplinary Approach for an Intelligent Informations System for Blind People. In: KLAUS, J.; AUFF, E.; KREMSER, W.; ZAGLER, E. (Eds.). Interdisciplinary Aspects on Computers Helping People with Special Needs - INTERNATIONAL CONFERENCE ON COMPUTERS HELPING PEOPLE WITH SPECIAL NEEDS, 5., 1996, Linz. Proceedings... Linz: [s.n.], 1996.

[KAN89] KANTOROWITZ, E.; SUDARSKY, O. The Adaptable User Interface. Communications of the ACM, New York, v.32, n.11, p.1352-1357, Nov.1989.

[LEV93] LEVY, P. As Tecnologias de Inteligência. Rio de Janeiro,1993.

[LOP96] LOPES, J. VYGOTSKY: o teórico social da Inteligência. Revista Nova Escola. Ano XI - No. 99 - dez.96. São Paulo: Fundação Victor Civita, 1996.

[LUM93] LUMBRERAS, M. A Hypertext for Blind People. In: ACM CONFERENCE ON HYPERTEXT, 4., (Hypertext), 1993, Seattle. Proceeding... New York: ACM, 1993.

[LUM96] LUMBRERAS, M. Palestra sobre Realidade Virtual e Deficiência Visual. In: CONGRESO IBEROAMERICANO DE COMUNICACION ALTERNATIVA Y AUMENTATIVA., 2., 1996, Viña del Mar. Memorias... (no prelo) Viña del Mar: [s.n.], 1996.

[MOR92] MORENO, H.; NAVA, F.; MARTÍNEZ, J.; FUENTES, M.; HARO, H. Ayuda Visual por Computadora en la Educación del Hipoacúsico. In: CONGRESO IBEROAMERICANO DE INFORMÁTICA EDUCATIVA, 2., 1992, Santo Domingo. Memorias... Santo Domingo: SBC, 1992.

[MUS88] MUSSELWHITE, C.R.; StLOUIS, K.W. Communication Programming for Persons with Severe Handicaps - Vocal and Augmentative Strategies. Boston: A.College-Hill Publication, 1988.

[ORT93] ORTH, A.I.; NUNES, J.D. O Poder da Interface do Usuário no Aprendizado e uso de um Produto de Software. In: Simpósio Brasileiro de Informática na Educação - SBIE, 4., 1993, Recife. Anais.... Recife: SBC, 1993.

[PAU92] PAUSH, R.; WILLIANS, R.D. Giving Candy to Children: User-Tailored Gesture Input Driving an Articulator-Based Speech Synthesizer. Communications of the ACM, New York, v.35, n.5, p.58-66, May 1992.

[PIN96] PINTOS, E.B.; SAMPIETRO, J.E.; GARCIA, G.G. SONIX - Entorno Operativo para Ciegos. In: CONGRESO IBEROAMERICANO DE INFORMÁTICA EDUCATIVA, 3., 1996, Barranquilla. Memorias.... Barranquilla: SBC, 1996.

[ROD95] RODRIGUES, A.S.; MAIA, P.F. BIBLIVOX - Sistema de Controle, Cadastro e Consulta Bibliográfica Vocal para Deficientes Visuais. In: Congresso Internacional LOGO, 7., 1995, Porto Alegre; Congresso de Informática Educativa do Mercosul, 1., 1995, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: Pallotti, 1995

[ROS96] ROSAS, R. et al. Cantaletras: Sistema Multimedial de Apoyo al proceso de Enseñanza de la Lectoescritura para Niños Ciegos. In: CONGRESO IBEROAMERICANO DE INFORMÁTICA EDUCATIVA, 3., 1996, Barranquilla. Memorias.... Barranquilla: SBC, 1996.

[SAN92] SANTAROSA, L.M.C. et al. Ambientes de Aprendizagem Computacionais com "Prótese" para o Desenvolvimento de Pessoas com Paralisia Cerebral. Porto Alegre: CIES-EDUCOM - FACED/UFRGS, 1992. (Relatório de Pesquisa).

[SAN95] SANTAROSA, L.M.C. et al. Simulador de Teclado com Predição de Palavras para Ambiente Gráfico WinLOGO. In: Congresso Internacional LOGO, 7., 1995, Porto Alegre; Congresso de Informática Educativa do Mercosul, 1., 1995, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: Pallotti, 1995

[SIL96] SILVEIRA, M.S. FALAS - Ferramenta Alternativa de Aquisição Simbólica. In: CONGRESO IBEROAMERICANO DE INFORMÁTICA EDUCATIVA, 3., 1996, Barranquilla. Memorias.... Barranquilla: SBC, 1996.

[TOD94] TODMAN, J.; ALM, N.; ELDER, L. Computer-Aided Conversation: a prototype system for nonspeaking people with physical disabilities. Applied Psycholinguistics, Cambridge, v.15, p.45-73, 1994.

[WAD95] WADSWORTH, B. Inteligência e Afetividade da Criança na Teoria de Jean Piaget. São Paulo: Pioneira, 1993.

[ZAT92] ZATO, J.G.; GÓMEZ, F.A.; GARCIA, A. A Computer Access for People with Motor Disabilities: a keyboard emulator. International Journal of Rehabilitation Research, Edimburgh, v.15, n.4, p.311-319, Dec.1992.

[ZWI90] ZWICKER, R.; REINHARD, N. Interfaces Inteligentes: perspectivas para novas formas de aprendizado e uso de sistemas. Revista Brasileira de Computação, Rio de Janeiro, v.5, n.3, p.17-26, jan-mar.1994.