TÚNEL DO TEMPO
Ferramenta de Auxílio ao Ensino de História

Lúcia Maria Martins Giraffa
Jorge Oliveira
Leandro da Silva Borges
Instituto de Informática - PUCRS/UFRGS
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giraffa@music.pucrs.br e giraffa@inf.ufrgs.br





PALAVRAS-CHAVE:

software educacional, ensino suportado por computador, ensino de História.

RESUMO

Este artigo apresenta a descrição do software denominado TÚNEL DO TEMPO - Ferramenta de Auxílio ao Ensino de História, cujo projeto se baseia na técnica de ensino chamada "linha de tempo", utilizada nas disciplinas de ensino de História, quer no 1o, 2o ou 3o graus, das escolas brasileiras (especialmente da região sul-sudeste). O ambiente permite ao usuário localizar, no tempo e no espaço, os diferentes acontecimentos históricos, personagens e fatos correlatos. Apresenta uma interface baseada no ambiente gráfico padrão Windows e utiliza requisitos de hardware e software facilmente encontrados em ambientes escolares .

ABSTRACT

This paper explains the educacional software called TÚNEL DO TEMPO - History Aid Teaching Tool. This environment is based on the "time-line" teaching technics and enable the user to locate, in space and time, differents historical events, persons, and related facts. It uses an interface based on Windows graphical environment and needs hardware and software requirements easily founded in elementary and high school’s

1. Introdução

Este trabalho apresenta a fundamentação teórica e a descrição do software denominado TÚNEL DO TEMPO , desenvolvido para auxiliar o processo de ensino-aprendizagem da disciplina de História.

Segundo Barros[BAR 87], existem diferentes formas de sua aplicação do computador na escola e uma delas é sua utilização como ferramenta capaz de auxiliar no processo de ensino-aprendizagem O projeto do ambiente (software educacional) TÚNEL DO TEMPO, surgiu como resultado de um trabalho interdisciplinar entre o Instituto de Informática e o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, visando diversificar os recursos utilizados nas disciplinas de História, integrando a técnica de ensino denominada linha-de-tempo e os sistemas gerenciadores de banco de dados, utilizando interfaces que facilitam o acesso e manipulação das informações por parte do usuário.

O ambiente pode ser utilizado para introdução ou feedback de conteúdos já organizados pelo professor e para o aluno montar o seu banco de dados e decidir a forma de acesso às informações, por ele pesquisadas e organizadas.

Desta forma pretende-se que o aluno utilize o software para manipular e organizar as informações segundo critérios e interesses pessoais.

Em função das diferenças culturais entre países e regiões de um mesmo país, faz-se necessário desenvolver um modelo de informatização adaptado da melhor maneira possível para a respectiva realidade..

É importante ressaltar que a tecnologia sozinha não é solução. Conforme Reinhardt [REI 95], para colher-se os benefícios apregoados requer-se, antes de tudo, um extensivo treinamento humano, mudanças nos hábitos de ensino e alterações curriculares, envolvendo transformações como:

Para os alunos, a informática parece ter trazido incrementos significativos tanto em aspectos intelectuais como pessoais. Reinhardt [REI 95] também afirma que o computador, quando utilizado de maneira apropriada, tem em si a capacidade encorajar o pensamento criativo, despertar a curiosidade e promover a disposição ao empreendimento, além de apresentar-se como detentor de uma infinita paciência e dedicação. Até mesmo uma melhoria comportamental em sala de aula pode ser obtida com o seu uso.

O professor deve ser visto na figura de facilitador e distribuidor de recursos, aliado à máquina e não competindo com ela. O computador vem para contribuir com o professor e seu objetivo deve ser o de auxiliar na busca da melhoria da qualidade do processo ensino-aprendizagem.

  • Segundo Kozma, a ciência da informática pode ser utilizada por uma série de métodos que aceitem as aptidões humanas. Ela é capaz de modelar, ativar ou amplificar inúmeros processos. Pode pacientemente ensinar conhecimento verbal, modelar dinamicamente habilidades intelectuais e ativar ou amplificar estratégias cognitivas. [Apud in [STA 90, p. 34]
  • 2. Software Educacionais

    Podemos definir software educacional como sendo um programa desenvolvido com o propósito singular de atender a objetivos educacionais, previamente estabelecidos. Costuma-se atribuir esta classificação às modalidades onde explicitamente o objetivo é o de suportar as atividades de ensino e/ou aprendizagem, embora qualquer software pode ser visto como uma ferramenta para fins educacionais, onde a diferença estaria na forma de sua utilização.

    O uso difundido dos computadores na área educacional tem resultado numa grande demanda na produção de software educacionais e muitas críticas são feitas quanto as suas qualidades e reais potencialidades. Grande parte destes programas são adaptações de produtos estrangeiros, que muito pouco tem em comum com o sistema educacional ou a cultura brasileira. Os que fogem a esta regra, freqüentemente padecem de uma série de outros problemas, tais como: aplicação em situações educacionais particulares, grau de sofisticação, qualidade da documentação e preço muito elevado devido ao baixo índice de comercialização.

    Ao longo de seu desenvolvimento, estes programas deparam-se com vários obstáculos: dificuldades de conceituação, classificação e estabelecimento de características essenciais. A transposição destas barreiras leva a uma maior facilidade de implementação, seleção, utilização e avaliação. Para tanto é necessário um trabalho multidisciplinar, com uma participação concomitante de informatas e outros especialistas.

    A busca de uma melhora qualitativa, nestes software, vem obtendo ganhos a partir do maior envolvimento dos núcleos acadêmicos, ainda que enfrentando barreiras como :

    Segundo Valente [VAL 89] para que a produção de programas educacionais passe a ser maximizada, com um mínimo de recursos e um bom índice qualitativo, é interessante ter-se em mente alguns tópicos como : Das várias taxinomia existentes para classificar os software educacionais, uma das mais conhecidas é a proposta por Taylor [Apud in [LUC94], p.7], onde temos as modalidades tutor, tutelado e ferramenta.

    As ferramentas são software que se constituem em uma das maiores fontes de mudança do ensino, bem como no processo de manipulação da informação. O computador é visto como um instrumento voltado a realizar tarefas como processamento de texto, planilhas, manipulação de arquivos, construção e transformações de gráficos, sistemas de autoria, calculadores numéricos; extremamente úteis tanto para os alunos quanto para os educadores. São os mais difundidos atualmente, segundo Lucena[LUC94], devido às seguintes características:

    Nesta categoria incluímos o TÚNEL DO TEMPO, pois através dele, o computador é utilizado como uma ferramenta de autoria para a elaboração de atividades na disciplina de História.

    3. O Estudo de História Através de Linhas de Tempo

    O emprego mais comum da palavra história significa o registro do passado do homem; é o registro da vida da humanidade das primeiras civilizações à era espacial. Segundo Fernandes [FER93] a história consiste de uma narração metódica dos acontecimentos ou fatos sociais, políticos, econômicos ou intelectuais, dignos de memória, ocorridos na vida da humanidade, de um povo ou de um Estado.

    Ao contrário das demais ciências, que buscam um fato independentemente do momento em que ele se produz, a história busca ir ao seu encontro em sua data, situando o acontecimento em seu meio concreto. Um caminho para isto é através da cronologia que, como ciência, divide a história em períodos procurando agrupar suas passagens em grupos comuns. Daí, surgem definições como história antiga, medieval e outras.

    As linhas de tempo apresentam-se como um dos meios mais populares e utilizados no ensino de história nas escolas brasileiras, especialmente as da região sul-sudeste.

    O principal objetivo de sua confecção é permitir uma melhor visualização temporal da história, envolvendo conceitos de proporção e abstração. Ela baseia-se na elaboração da idéia de história a partir de gravuras e elementos.
     
     

    Fig. 1 - Exemplo básico de um gráfico do tipo linha de tempo.



    Segundo Neves [NEV85], esta técnica é utilizada para desenvolver a capacidade de inter-relacionar elementos na composição de sínteses complexas. Tem na redução à palavra-chave e na recomposição do todo, instrumentos freqüentemente usados. Este procedimento parte da premissa de que só domina realmente a essência da matéria aquele que consegue visualizar e relacionar os fatos históricos.

    4. Descrição do Sistema
     

    A base da interface está em um objeto gráfico semelhante a uma régua, que fará a representação da linha de tempo, onde os períodos e fatos desejados poderão ser selecionados através do mouse ou teclado. Como o software foi projetado para o ambiente Windows, ele segue todo o padrão e funcionamento de suas janelas.
     


    Fig. 2 - Janela de diálogo do TÚNEL DO TEMPO.
     

    Fig. 3 - Janela de apresentação do TÚNEL DO TEMPO.


    Este módulo é formado por ferramentas que permitirão, ao autor, incluir, alterar e excluir os itens que irão compor o Banco de Fatos Históricos.

    Cada fato histórico incluído poderá conter, além de sua descrição simples, um texto explicativo, uma imagem, e um trecho sonoro. Esses componentes auxiliares visam enriquecer e complementar a passagem de informações ao usuário.

    A História é dividida em fases ao longo do tempo. Para possibilitar um correto relacionamento entre os dados arquivados no Banco de Fatos Históricos com estas fases, existirá também um Banco de Períodos e Classes.

    Desta forma, os fatos incluídos no Banco de Fatos Históricos poderão receber vínculos de associação da seguinte forma:

    Será de competência do autor (professor ou aluno) efetuar o cadastro dos períodos e classes desejadas e a elas vincular os acontecimentos cadastrados. Está vinculação poderá ser feita ou alterada a qualquer instante desejado.

    Em complemento, também poderão ser atribuídas palavras chaves a cada fato, fechando assim um conjunto de diferentes possibilidades de depuração e seleção que serão oferecidos ao usuário.
     
     

    Fig. 4 - Exemplo de um tipo de cadastro de Fato Histórico.


    O TÚNEL DO TEMPO coloca à disposição do usuário o mecanismo básico de navegação e seleção da técnica - linha de tempo. Com o uso do teclado ou mouse, o usuário poderá avançar e retroceder a barra correspondente a linha de tempo procurando por um ano desejado e selecionando-o para verificar os dados relacionados.

    A resposta à seleção de um ano específico será a abertura de uma janela onde serão apresentados os fatos históricos a ele vinculados, permitindo uma consulta detalhada sobre cada um deles. Dependendo do que foi alimentado pelo autor, será permitido ao usuário ler um texto alusivo ao fato, visualizar uma imagem e escutar um trecho sonoro. Tais solicitações poderão ser efetuadas a partir dos ícones que se farão presentes conforme a existência ou não dos correspondentes arquivos de texto, som e imagem.

    Um mecanismo útil que está à disposição do usuário é a possibilidade de uma pré-seleção do que a linha de tempo deverá conter, utilizando-se da escolha de determinados períodos e classes da história, disponíveis no Banco de Períodos e Classes.

    Um exemplo possível seria o usuário desejar obter apenas os fatos associados a História do Brasil no período colonial, ou todos os fatos da Idade Média. A linha do tempo se adaptaria a estas solicitações.

    É possível, também, a utilização de palavras-chave quando não se tiver certeza a respeito do que especificamente esta se procurando. (ex.: selecionar fatos com palavra-chave igual a Revolução).

    Os textos vinculados aos fatos poderão ser impressos para arquivamento pelo aluno, e existe um bloco de notas à disposição para apontamentos, individualizados.

    5. Finalização

    O projeto e o desenvolvimento de um software educacional implica em diversas etapas no que diz respeito aos aspectos de Ciência da Computação, mas antes de tudo devemos considerar que o sistema possui uma aplicação e esta um conjunto de teorias que devem ser observadas. Logo, a característica interdisciplinar e multidisciplinar, intrínsecas nesta modalidade de software não podem ser desconsideradas.

    O Túnel do Tempo é mais um produto elaborado como parte de um grande projeto de desenvolvimento de software educacionais adaptados à realidade brasileira, que possibilitem ao aluno diversificar e ampliar a forma com que ele se relaciona com os conteúdos que está estudando.

    O trabalho para construção de novas versões do ambiente será desenvolvido após um período de testes, uma vez que estamos colocando cópias disponíveis para uso em escolas e universidades. Após este período, cujo prazo irá até o primeiro semestre de 1996, faremos um novo ajuste e pretendemos aumentar o número de ferramentas e aumentar a complexidade dos problemas que podem ser trabalhados em face das sugestões e críticas dos usuários.

    Após estes ajustes, o manual do sistema, o manual do usuário e a cópia executável estará disponível para consulta e utilização, em endereço WWW, como todos os produtos anteriormente desenvolvidos.

    7 - Referências Bibliográficas

    Barros, L. O Micro na Sala de Aula. Apostila 7° SEMICRO. Rio de Janeiro, 1987.

    FERNANDES, F. ; FERNANDES, C. F. ; LUFT, F. M. G. P. Dicionário Brasileiro Globo. São Paulo: Globo, 1993.

    LUCENA, M. W. F. P. O Uso das Tecnologias da Informática para o

    Desenvolvimento da Educação. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ, jun. 1994.

    Relatório Técnico n.ES-301/94.

    NEVES, M. A. M. Ensinado e Aprendendo História. São Paulo: EPU, 1985.

    REINHARDT, A. Novas Formas de Aprender. Byte Brasil. São Paulo: março, 1995.

    STAHL, M. M. Caracterização do Software Educacional: Subsídios para o seu

    Desenvolvimento. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ, 1990. Relatório Técnico.

    VALENTE, J. A. Questão do Software: parâmetros para o desenvolvimento

    de Software Educativo. Campinas: NIED/UEC, 1989. Relatório Técnico n.24/89.