Apresentação do texto em documentos educativos: influência da posição das janelas de texto no espaço da imagem-ecrã hipermédia no acesso e retenção da informação

Teresa Maria Baltazar de Lacerda
Escola Secundária da Póvoa de Lanhoso
Altamiro Barbosa Machado
Universidade do Minho
Portugal

Resumo

Com esta comunicação pretendemos divulgar os resultados obtidos numa investigação desenvolvida no âmbito da Tese de Mestrado em Educação com especialização em Informática no Ensino. Com o referido estudo pretendemos determinar a influência da posição de janelas de texto no espaço da imagem-ecrã hipermedia no acesso à informação e na retenção dessa mesma informação. Para isso, desenvolvemos um documento hipermedia, apresentado em duas versões: uma com as janelas de texto de diferentes níveis de estruturação sobrepostas no espaço da imagem-ecrã e outra com as mesmas janelas não-sobrepostas, colocadas lado a lado, no referido espaço.

As duas versões do documento hipermedia foram exploradas, individualmente, por dois grupos de alunos do 7º ano de escolaridade do 3º ciclo do ensino básico, de 15 elementos cada. Essa exploração foi registada por intermédio de um marcador de percurso electrónico, acoplado ao documento hipermedia. Após a referida exploração, os alunos responderam a um teste de avaliação de conhecimentos.

A análise dos dados sugeriu, para esta amostra, a existência de diferenças estatisticamente significativas entre a retenção da informação global e a posição das janelas de texto no espaço da imagem-ecrã hipermedia, correspondendo os melhores resultados ao grupo que explorou a versão das janelas de texto não-sobrepostas. Quanto às janelas de texto com diferentes níveis de estruturação não se encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos de alunos. Também, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas relativamente à frequência de acesso à informação, quando se considera uma ou outra versão do documento hipermedia.

1. Introdução

Os sistemas hipermedia permitem a produção de documentos onde a informação pode ser escrita e consultada de forma não linear e, também, apresentada através de diferentes formatos: texto, imagem e som.

Esta possibilidade que os documentos hipermedia têm de utilizar representações multiformato do conhecimento (Machado, 1993) confere-lhes um papel importante no decurso do processo de ensino e aprendizagem, por proporcionar ao utilizador a escolha de "uma ou mais representações parciais do conhecimento, permitindo-lhe assim inferir o modelo global do conhecimento" (Machado, 1993). No entanto, o facto de os sistemas hipermedia permitirem a produção de documentos que integrem em simultâneo vários formatos de representação da informação acarreta problemas muito específicos, como indica Machado (1993):

  • O recente aparecimento dos sistemas multimedia pressupõe a necessidade de se trabalhar com representações multiformato do conhecimento. O armazenamento dessa informação em bases de dados com um paradigma de gestão da informação em rede conduziu aos chamados sistema hipermedia. O facto das aplicações hipermedia manipularem representações do conhecimento com formatos, perspectivas, graus de detalhe e dimensão temporal distintas dá origem a dificuldades não só no seu desenvolvimento como também na navegação na respectiva informação.
  • É devido à possibilidade de se utilizarem representações multiformato, neste tipo de documentos, que o aspecto comunicacional de concepção de interfaces assume particular importância. Com efeito, se a utilização, num mesmo documento, de imagens, texto e som pode ser extremamente útil e aliciante para o utilizador, também pode ser um factor de desestabilização e confusão se não forem tomados os devidos cuidados (Picher, Berk, Devlin e Pugh, 1991).

    Assim, as representações multiformato vão exigir o estudo e a compreensão das linguagens subjacentes a cada um dos formatos isoladamente considerado, para que, posteriormente, se possam encontrar pontos de convergência entre essas linguagens, possibilitando a integração eficiente e agradável dos diversos formatos de representação da informação. Foi deste contexto que surgiu o tema para esta investigação cujo principal objecto de estudo é o texto como um dos possíveis formatos de apresentação da informação em documentos hipermedia.

    q Mas ... porquê o texto?

    A escolha do texto deveu-se, por um lado, à sua extraordinária importância, ao longo dos tempos, na apresentação da informação e, por outro, à necessidade de adequar a sua apresentação às características deste novo medium que é o hipermedia (Slatin, 1991).

    l Por que razão nos devemos preocupar com o design do texto?

    Esta preocupação advém das características particulares do texto. Vejamos: segundo Moles (1976), o texto pode ser considerado como um objecto de iconicidade nula, ou seja, com um grau máximo de abstração. Por isso mesmo, têm-se desenvolvido diversos estudos no sentido de encontrar a melhor forma de o apresentar, para que possa desempenhar um papel eficaz no processo de ensino e aprendizagem. A maioria desses estudos parece indicar que a forma como o texto é organizado e apresentado tem influência na aprendizagem (Jonassen, 1985; Gropper, 1991).

    O aparecimento do computador e, consequentemente, a possibilidade de se poder apresentar texto por intermédio do ecrã criou a necessidade de desenvolver estudos similares com o objectivo de optimizar esta forma de apresentação do texto. Por seu turno, o aparecimento dos sistemas hipermedia obriga um repensar da apresentação do texto no ecrã (Stark, 1990).

    Através dos sistemas hipermedia o texto pode surgir em conjunto com imagens ou com som e, como tal, é importante investigar quais as metodologias mais adequadas para o seu design nestas condições. Por outro lado, quando se fala de texto em hipermedia fala-se, regra geral, de texto fragmentado em "pedaços" que se relacionam entre si, por intermédio de uma série de referências cruzadas. Por referências cruzadas entenda-se a possibilidade de um texto remeter o leitor para outros textos com ele relacionados, possibilitando-lhe a consulta imediata desses textos. Esse tipo de referências está presente nos documentos hipermedia, uma vez que o princípio de escrita-leitura não linear subjacente à utilização das referidas referências cruzadas é uma das características essenciais da filosofia hipertexto. Assim sendo, muitos destes textos estão "escondidos" na memória do computador e só surgem no ecrã quando o utilizador o desejar (Kahn e Lenk, 1992). Ora, nestas circunstâncias, é preciso estudar quais as formas mais adequadas de gerir o espaço da imagem-ecrã, caso exista a necessidade de, em determinados momentos, visualizar em simultâneo diversas janelas com texto.

    q Qual a perspectiva segundo a qual estudamos o texto?

    Quando falamos de texto em hipermedia estamos a falar de texto interactivo que, como tal, pode aparecer e desaparecer do espaço da imagem-ecrã de acordo com as decisões do utilizador. Neste contexto, é preciso investigar quais as formas mais adequadas de gerir o espaço da imagem-ecrã quando, por exemplo, há necessidade de apresentar, em simultâneo, diversas janelas com informação em formato texto. Assim, no decurso deste estudo, dedicaremos particular atenção a questões relacionadas com a posição que as janelas que contêm texto ocupam no espaço da imagem-ecrã hipermedia. Na base desta opção esteve o facto de existirem poucos estudos relacionados com este assunto, bem como uma investigação realizada por Stark (1990) para verificar se diferentes tipos de janelas, em diferentes posições no espaço da imagem-ecrã, afectavam a eficiência com que os utilizadores procuravam uma determinada informação. As referidas janelas correspondiam a informações complementares a um texto inicial e eram activadas quando o utilizador pressionava determinadas palavras (hotword) do texto base.

    Nesta investigação não foram encontradas diferenças significativas entre o desempenho final da tarefa e o tipo de janela utilizado. No entanto, Stark (1990) concluiu, a partir de entrevistas realizadas após a experiência, que um dos tipos de janelas utilizado requeria um esforço adicional dos participantes em termos de memória durante a realização da tarefa.

    Ainda neste contexto levamos, também, em consideração a possibilidade, oferecida pelos sistemas hipertexto, de subdividir um texto linear em diversos subtextos relacionáveis entre si, como representamos na figura 1. Nesta figura evidenciamos as ligações de alguns subtextos (B1, B2, C1 e C2) com os textos de que dependem. Assim, a partir do texto A é possível aceder ao texto B1 e/ou B2, enquanto que a partir do texto B1 podemos aceder aos textos C1 e/ou C2, e assim sucessivamente, caso existissem mais textos relacionados. Gillingham (1993) considera que cada um destes textos se encontra num nível de estruturação diferente, correspondendo ao texto A o nível de estruturação 0 (zero), aos textos B1 e B2 o nível 1 e a C1 e C2 o nível 2.
     


    Figura 1 — Texto e subtextos relacionados

    A estruturação de um texto em diferentes níveis coloca diversas questões relacionadas tanto com as estratégias de exploração dos documentos hipertexto e hipermedia, como com a facilidade ou dificuldade de acesso à informação desses níveis por parte do utilizador.

    Mark Gillingham (1993) realizou uma investigação cujo objectivo era estudar o tipo de estratégias utilizadas por adultos na exploração de um documento hipertexto onde o texto estava estruturado em diferentes níveis. O autor pretendia, ainda, avaliar a influência dessas estratégias no grau de sucesso com que os utilizadores respondiam a uma série de questões.

    Na presente investigação não é nossa intenção ocuparmo-nos das estratégias usadas para explorar hiperdocumentos. Já a facilidade de acesso aos diferentes níveis de estruturação do texto enquanto relacionada com a posição que as janelas de texto, desses níveis de estruturação, ocupam no espaço da imagem-ecrã são aspectos fundamentais no desenvolvimento deste estudo.

    Assim, o problema que pretendemos investigar é o seguinte:

    Qual a influência no utilizador, em termos de acesso à informação e retenção dessa mesma informação, da posição de diversas janelas de texto com diferentes níveis de estruturação no espaço da imagem-écran, num documento educativo hipermedia?

    2. Descrição do estudo

    Para a realização deste estudo concebemos e desenvolvemos um documento hipermedia subordinado ao tema: "Visita ao Parque Biológico de Gaia" (adiante designado por "Visita ao PBG"). Através da sua exploração, o utilizador tem acesso a um conjunto de informações que encontraria caso visitasse aquele Parque Biológico.

    No âmbito deste estudo, desenvolvemos duas versões da "Visita ao PBG", cuja diferença consiste na posição que as janelas de texto ocupam no espaço da imagem-ecrã. Assim, temos:

    Versão A — Janelas de texto não-sobrepostas no espaço da imagem-ecrã
    (fig. 2).

    Versão B — Janelas de texto sobrepostas no espaço da imagem-ecrã
    (fig. 3).


    Figura 2 — Exemplo de uma das imagens-ecrã da versão A


    Figura 3 — Exemplo de uma das imagens-ecrã da versão B


    Em cada uma das imagens-ecrã, de ambas as versões, a navegação é determinada pelo texto, através de hotwords. O texto, localizado na zona da esquerda da imagem-ecrã (fig. 2 e 3), contém diversas hotwords, cada uma das quais permite o acesso a informação complementar que pode estar representada apenas sob o formato de texto ou sob o formato de texto e imagem. Este segundo texto pode, do mesmo modo, conter hotwords que permitem o acesso a mais informação, também, sob o formato de texto ou de texto e imagem. Assim, consideramos que, dentro de cada bloco de informação, o texto pode aparecer estruturado em três níveis, definidos de acordo com os níveis de estruturação do texto considerados por Gillingham (1993). São eles: nível 0, 1 e nível 2.

    O nível 0 corresponde à janela de texto que está permanentemente fixa no ecrã e que se localiza em qualquer dos documentos – versão A ou B – na zona da esquerda da imagem-ecrã (fig. 2 e 3).

    As janelas de nível 1 surgem no écran quando se acciona, com o rato, uma hotword do texto de nível 0. Os textos de nível 1 também podem ter hotwords que, tal como anteriormente, são activadas através de um clique com o rato. Quando isto acontece, surge no ecrã um terceiro texto a que atribuímos o nível 2 (fig. 2 e 3).

    Dada a natureza do problema e o tipo de amostra seleccionada (não aleatória), a investigação que realizamos obedeceu a uma metodologia de tipo quasi-experimental (Cohen e Manion, 1989) em que a variável independente foi manipulada para observarmos qual a sua influência sobre as variáveis dependentes. Assim, as variáveis consideradas foram:

    A) A variável independente deste estudo corresponde à posição das janelas de texto, com diferentes níveis de estruturação, no espaço da imagem-ecrã. Esta variável é apresentada em duas modalidades, de acordo com as possíveis posições que as janelas de texto podem ocupar no espaço da imagem-ecrã: B) As variáveis dependentes são:  
    1 – A frequência de acesso às janelas de texto de diferentes níveis de estruturação.

    2 – O grau de retenção da informação por parte dos alunos.
    A variável 1 foi medida através de um marcador de percurso que registou todas as acções dos diferentes alunos durante a exploração do documento hipermedia.

    A variável 2 foi medida através de um teste de avaliação de conhecimentos realizado pelos alunos após a exploração da "Visita ao PBG".

    Para a realização da investigação contamos com dois grupos de alunos, do 7º ano de escolaridade do ensino básico, cada um deles constituído por quinze indivíduos. O desenvolvimento deste estudo pode ser dividido nas seguintes etapas: 1) exploração individual, pelos alunos, de uma das versões do documento hipermedia: "Visita ao Parque Biológico de Gaia"; 2) monitorização automática do percurso efectuado por cada aluno durante a exploração do documento hipermedia;

    3) resposta individual a um teste para avaliação de conhecimentos.

    Os indivíduos de cada grupo exploraram apenas uma das versões da "Visita ao PBG", após o que foram sujeitos a um teste escrito. Este teste foi igual para todos os alunos (30) que integraram a amostra. A "Visita ao Parque Biológico de Gaia" tinha acoplado um marcador de percurso electrónico que registou todas as acções efectuadas, correspondentes aos cliques com o rato sobre os diferentes objectos existentes na imagem-ecrã. Este marcador de percurso permitiu-nos saber quais os blocos de informação a que o aluno acedeu, bem como o número de vezes que acedeu a cada um desses blocos.

    Os alunos não tinham conhecimento da existência do referido marcador de percurso, o que eticamente poderá ser bastante controverso. Apesar disso, resolvemos correr o risco de omitir aos participantes a existência do marcador de percurso com o intuito de não condicionar a exploração do documento hipermedia.
     

    3. Instrumentos de recolha de dados

    Neste estudo utilizamos dois tipos de instrumentos para recolher os dados:

    O marcador de percurso é uma técnica muito usada nas investigações que envolvem sistemas hipertexto e hipermedia (por exemplo, Stark, 1990).

    Utilizamos esta técnica com dois objectivos:

    1) eliminar da amostra os indivíduos que não tivessem acedido a todas as janelas de texto do documento hipermedia;

    2) avaliar o efeito da variável independente sobre a variável dependente que consistia na frequência de acesso às janelas de texto dos diferentes níveis de estruturação.

    O teste de avaliação de conhecimentos foi realizado pelos alunos após a exploração do documento hipermedia: "Visita ao Parque Biológico de Gaia". Este tipo de teste é, regra geral, o mais adequado quando se pretende saber qual o nível de conhecimentos que o aluno atingiu numa determinada situação de aprendizagem (Ary, Jacobs e Razavieh, 1987).

    Com o teste pretendemos avaliar o efeito da variável independente sobre a variável dependente que consistia no grau de retenção da informação.
     

    4. Tratamento e análise dos dados

    Para o tratamento dos dados obtidos com o marcador de percurso, construímos diferentes rácios – designados por rácios de acesso – tendo por base um índice do mesmo tipo apresentado por Gillingham (1993). Assim, construímos um rácio de acesso para as janelas de texto de nível 0 (rácio de acesso0 - RAc0), outro para as de nível 1 (rácio de acesso1 - RAc1), outro para as de nível 2 (rácio de acesso2 - RAc2) e um quarto para o total de janelas de texto visitadas (rácio de acessoT - RAcT), como apresentamos de seguida:

    RAc0 = número total de janelas de nível 0 a visitar / nº tot. de janelas de nív. 0 a visitar + (nº de janelas de nív. 0 visitadas - nº tot. de janelas de nív. 0 a visitar)

    RAc1 =número total de janelas de nível 1 a visitar / nº tot. de janelas de nív. 1 a visitar + (nº de janelas de nív. 1 visitadas - nº tot. de janelas de nív. 1 a visitar)

    RAc2 =número total de janelas de nível 2 a visitar / nº tot. de janelas de nív. 2 a visitar + (nº de janelas de nív. 2 visitadas - nº tot. de janelas de nív. 2 a visitar)

    RAcT =número total de janelas a visitar / nº tot. de janelas a visitar + (nº de janelas de visitadas - nº tot. de janelas a visitar)

    O valor obtido para cada um dos rácios mencionados varia entre 0 (zero) e 1 (um), ou melhor, no caso do zero deve-se dizer que o valor pode tender para zero não tomando nunca esse valor. Quando o valor obtido é igual à unidade, isso significa que o aluno visitou apenas uma vez as janelas de texto do nível considerado. À medida que o valor obtido tender para zero significa que o aluno visitou com maior frequência as janelas de texto em causa.

    Na base da construção deste rácio, esteve a necessidade de utilizarmos uma mesma escala para determinar a frequência de acesso às janelas de texto dos diferentes níveis, já que o número de janelas para cada nível é variável. Desta forma, foi mais fácil comparar os valores obtidos.

    O plano de tratamento dos dados obtidos através do marcador de percursos obedeceu aos seguintes critérios:

    1) Frequência de acesso à totalidade das janelas de texto em cada uma das versões: janelas não-sobrepostas (JNS) e janelas sobrepostas (JS).


    2) Frequência de acesso às janelas de texto com diferentes níveis de estruturação. Comparação dos resultados obtidos nos dois grupos de alunos no que respeita:

  • 4.2. Dados relativos ao teste de avaliação de conhecimentos
  • O teste de avaliação de conhecimentos tinha 30 questões, tendo sido dada a pontuação zero às questões respondidas de forma errada e um às certas. As questões não respondidas foram consideradas respostas incorrectas.

    O plano de tratamento dos dados obtidos através do teste de avaliação obedeceu aos seguintes critérios:

    5. Apresentação e discussão dos resultados A interpretação dos resultados obtidos através dos diversos rácios de acesso às diferentes janelas de texto presentes no documento hipermedia, calculados com base nos dados obtidos com o marcador de percurso, permitem-nos salientar os seguintes aspectos: 1 – inexistência de uma relação estatisticamente significativa, entre os grupos, no que respeita à frequência de acesso à informação global apresentada pelo conjunto das janelas de texto com a posição que as mesmas ocupam no espaço da imagem-ecrã. Através do teste t obtivemos um valor não significativo do ponto de vista estatístico (t = -0,182, para uma probabilidade = 0,8569).

    2 – inexistência de uma relação estatisticamente significativa, entre os grupos, no que respeita à frequência de acesso à informação contida nas janelas de texto de nível 0, 1 ou 2 com a posição que as mesmas ocupam no espaço da imagem-ecrã

    3 – verificação de que, em ambos os grupos, grande parte dos alunos acedeu com maior frequência às janelas de texto de nível mais baixo.
     

  • 5.2. Resultados obtidos a partir do teste de avaliação
  • A interpretação dos resultados obtidos através do teste final permite-nos salientar os seguintes aspectos: 1 – existência de uma relação estatisticamente significativa entre a retenção de informação global e a posição que as janelas de texto ocupam no espaço da imagem-ecrã. Através do teste t obtivemos um valor significativo do ponto de vista estatístico (t = 2,671, para uma probabilidade = 0,0125)

    2 – inexistência de relações estatisticamente significativas entre a retenção de informação contida em janelas de texto com diferentes níveis de estruturação e a posição que as mesmas ocupam no espaço da imagem-ecrã.

    Quanto ao primeiro aspecto, verificamos que, em termos de retenção da informação global, o grupo de alunos que explorou a versão do documento hipermedia com as janelas de texto não-sobrepostas alcançou melhores resultados, relativamente à outra versão, sendo a diferença desses resultados, significativa do ponto de vista estatístico.

    Quanto às janelas de texto de diferentes níveis de estruturação, não encontramos diferenças significativas em nenhum dos casos, sendo a distribuição dos resultados a seguinte:

    1 – As questões relativas a assuntos tratados nas janelas de texto de nível 0 apresentam, exactamente, o mesmo valor médio em ambos os grupos, não havendo, portanto, nenhuma diferença entre eles.

    2 – Tanto as questões relativas a assuntos tratados nas janelas de texto de nível 1 (t = 1,253, para uma probabilidade = 0,2206), como nas de nível 2 (t = 1,951, para uma probabilidade = 0,0611), apresentam um maior número de respostas correctas para o grupo que explorou a versão do documento hipermedia com as janelas de texto não-sobrepostas. Contudo, a diferença entre as médias das pontuações obtidas pelos dois grupos não se revelou estatisticamente significativa em nenhum dos casos

    3 – Podemos verificar, ainda, que as questões de nível 2 são as que obtiveram piores resultados em ambos os grupos sendo os melhores os relativos às questões de nível 1. As questões de nível 0 obtiveram piores resultados que as de nível 1, em ambos os grupos. Uma possível explicação para este facto é, como já referimos, o reduzido número de questões (apenas duas) deste nível.
     

    Referências bibliográficas [1] Ary, Donald; Jacobs, Lucy C.; Razavieh, Asghar (1987). Introducción a la Investigacion Pedagogica. México: Nueva Editorial Interamericana.

    [2] Brockmann, R. John; Horton, William; Brock, Kevin (1989). From Database to Hypertext via Electronic Publishing: An Information Odyssey. In Edward Barrett, (Ed.). The Society of Text: Hypertext, Hypermedia, and the Social Construction of Information. Cambridge, Massachusetts: Massachusetts Institute of Technology Press, pp. 162-205.

    [3] Cohen, Louis; Manion, Lawrence (1989). Research Methods in Education. (tr. espanhola de Francisco Agudo López. Métodos de Investigación Educativa. Madrid: Editorial La Muralla, S. A. 1990)

    [4] Gillinghham, Mark G. (1993). Effects of Question Complexity and Reader Strategies on Adults’ Hypertext Comprehension. Journal of Research on Computing in Education. 26 (1), 1-15.

    [5] Gropper, George L. (1991). Text Displays. Analysis and Systematic Design. Englewood Cliffs, New Jersey: Educational Technology Publications.

    [6] Jonassen, David H. (Ed.) (1985). The Technology of Text - principles for structuring, designing, and displaying text (vol. II). Englewood Cliffs, New Jersey: Educational Technology Publications.

    [7] Kahn, Paul; Lenk, Krzysztof (1992). Designing information for the computer screen. Paper presented in the Fourth ACM Conference on Hypertext and Hypermedia - ECHT’ 92 in Milano, Italy, November 30 - December 4.

    [8] Machado, Altamiro B. (1993). Aplicações multimedia baseadas em representações do conhecimento multiformato com a mesma perspectiva e síncronas. Texto dactilografado em curso de publicação. (cedido gentilmente pelo autor).

    [9] Moles, Abraham A. (1976). Em busca de uma teoria Ecológica da Imagem? In Anne-Marie Thibault-Laulan, (Ed.). Imagem e Comunicação. São Paulo: Edições Melhoramentos; série Hoje e Amanhã.

    [10] Picher, Oliver; Berk, Emily; Devlin, Joseph; Pugh, Ken (1991). Hypermedia. In Emily Berk e Joseph Devlin, (Eds.). Hypertext/Hypermedia Handbook. New York: Intertext Publications McGraw-Hill, inc. pp. 23-54.

    [11] Slatin, John M. (1991). Composing Hypertext: A Discussion for Writing Teachers. In Emily Berk e Joseph Devlin, (Eds.) Hypertext/Hypermedia Handbook.. New York: Intertext Publications McGraw-Hill, inc. pp. 55-64.

    [12] Stark, Heather A. (1990). What do readers do to pop-ups do to readers? In Ray McAleese, (Ed.). Hypertext: state of the art. New Jersey: Ablex Publishing Corporation, pp. 2-9.