A tecnologia da informação, o ensinar e o aprender: reflexões sobre o desenvolvimento cognitivo e sua relação com a prática escolar


Solange Capaverde Santos
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Brasil
solverde@vortex.ufrgs.br
Vera Regina Real Lima García
Universidade Federal de Santa Maria
Brasil
verega@zaz.com.br

Resumo

Este estudo reúne algumas reflexões sobre o desenvolvimento cognitivo, relacionando-o com a prática escolar, com a tecnologia da informação, o aprender e o ensinar. Os pressupostos teóricos envolvem especialmente os autores Vygotski, Piaget e Paulo Freire.
 

Tecnologia da informaçâo, ensinar, aprender

Quando um conjunto organizado de conhecimentos científicos pode ser aplicado em tarefas práticas, tem-se tecnologia. Quando considera-se todo um processo que envolve informações e estas incluam, entre outros, mecanismos de input e output, de processamento e de armazenamento, tem-se tecnologia da informação.

Tais informações podem estar nas mais variadas formas, tais como: oral, sonora, pictórica, icônica, textual, numérica, e são disponibilizadas pela tecnologia, pela telemática , pela infornomia , pela engenharia do conhecimento , enfim, por qualquer meio que torne possível disponibilizar o acesso às informações de interesse geral da sociedade.

É importante ressaltar que a informação em si não representa conhecimento, pois para sê-lo ela precisa ser processada pelo cérebro humano.

Daí a tecnologia da informação ser empregada como recurso de apoio aos processos de aprendizagem através da dinamização na produção de conhecimento onde o aprendiz participa como co-produtor.

O educador passa a ser um problematizador dialógico e o conteúdo não é doado ou imposto, mas representa um conjunto de informações a ser processado e construído de modo a constituir- se em um todo organizado e com aspecto característico para as situações específicas, através de processos reflexivos que permitam a ressignificação de objetos de aprendizagem e a construção de conceitos.

Para Vygotski, a relação aprendizagem/conhecimento tem como enfoque central o processo de formação de conceitos, que inclui a construção de significados e sua internalização, associados à dimensão social do desenvolvimento humano, que só ocorre nas trocas com o seu grupo cultural.

Ao longo de sua história social o indivíduo desenvolve as potencialidades relativas às funções psicológicas superiores que são construídas na sua relação com elementos de seu contexto, utilizando-se de instrumentos e símbolos que foram sendo aperfeiçoados pelas formas de ação do homem no seu processo evolutivo.

A linguagem humana representa um sistema simbólico fundamental para estas trocas entre sujeitos e objetos de conhecimento, tanto pelas possibilidades de intercâmbios sociais quanto pelas generalizações produzidas, que permitem ordenações de conceitos em categorias a serem compartilhadas pelos indivíduos que utilizam-se dessa linguagem para realizar abstrações e generalizações.
Para isto, diferentes grupos culturais produzem diferentes modos e instrumentos psicológicos que caracterizam o pensamento do indivíduo, de acordo com o grupo social onde está inserido, onde o biológico torna-se sócio-histórico (SANTOS, 1999).

De acordo com este autor (VYGOTSKI, 1998) o processo aprendizagem/conhecimento ocorre de forma organizada através da inter-relação entre os processos inter e intrapsicológicos. O desenvolvimento cognitivo dos sujeitos permite o estabelecimento de relações interpsicológicas que tornarão possível a construção intrapsíquica.

Também considera-se pertinente a este estudo o conceito de mediação, explorado por VYGOTSKI (1998), que inclui a intervenção de um elemento intermediário nas relações do sujeito com o mundo. Este elemento mediador utiliza-se de sistemas simbólicos para permitir ao sujeito, através de interações sociais, de influências culturais, de instrumental disponível e em contato com a realidade e o contexto dinâmico e em constante evolução, onde se insere, adquirir habilidades, valores, atitudes, e desenvolver as “funções pedagógicas culturalmente organizadas e especificamente humanas” (p. 76). Para Piaget, em toda a sua obra, sobre Epistemologia Genética, a mente humana poderia ser representada por um artista extremamente ativo, que a partir da realidade, cria e recria, de acordo com as suas estruturas mentais, construindo a sua realidade, contexto e bagagem de informações.

O conhecimento, segundo este autor, sofre as influências de um processo dialético entre sujeito e objeto e se dá através de fases que têm uma base biológica – da mais simples a mais complexa, dependendo dos estímulo de experiências a que cada um está exposto.

Um aprofundamento destas reflexões, tanto sob o ponto de vista filosófico epistemológico, como na perspectiva de adaptação das propostas construtivistas à visão da evolução cognitiva no hipertexto e em ambientes telemáticos, deverão apontar formas alternativas para o estabelecimento das comunicações entre os indivíduos através do compartilhamento de significados e significantes por uma comunidade global.

Piaget não pretendeu ditar normas pedagógicas, nem se preocupou em descrever uma prática pedagógica. Foi um psicólogo pesquisador, que durante mais de cinqüenta anos, através de uma extensa e complexa obra, propôs-se a explicar aspectos da natureza humana relacionados à inteligências. Dedicou-se a explicar esses aspectos e como o ser humano adquire o conhecimento, partindo do nascimento até completar a sua maturidade. Suas pesquisas serviram de inspiração a uma linha pedagógica chamada Construtivismo, que ganhou muitos adeptos no meio educacional. Um dos aspectos fundamentais deste estudo é a relação entre o indivíduo e o meio. Este indivíduo é dependente do meio onde vive e faz as trocas para suas próprias construções.

Piaget enfatiza que as estruturas orgânicas que constituem fisicamente a inteligência não são inatas e nem são determinadas somente pelo meio ambiente, mas é o produto de uma construção (equilibração).

Em Epistemologia Genética, Piaget concebe o conhecimento como produto de duas entidades epistemológicas não plenamente constituídas mas que, num processo de construção gradual – pela ação – vão se especificando e tomando identidade.
Então, sujeito e objeto não têm existência autônoma, mas constituem um todo capaz de gerar um conhecimento.

Na medida em que a ação se efetiva através de intercâmbio é que eles vão se constituindo em entidades separadas, porém vinculadas através do jogo de trocas recíprocas.

Como conseqüência, a construção do sujeito e do objeto – elementos indispensáveis na formação do conhecimento dependem da ação simultânea entre eles.

Porém o sujeito se constrói de forma diferenciada dos demais objetos, passando a construí- los, a percebê-los de uma forma diferente da inicial.

Assim, o conhecimento se forma na medida em que sujeito e objeto também vão se formando. Esta formação é colocada por Piaget como uma ação – sistema de procedimentos que visam a um resultado. O algoritmo dos procedimentos constitui a totalidade, representa uma ação – que é o que o sujeito faz para adaptar-se ao seu ambiente, tanto externamente perceptível quanto o que é interiorizável, na forma de pensamento.

Segundo PAPERT (1994) os estilos, planejado e emergente, de resolução de problemas vão se alternando ao longo de uma atividade, e o ambiente de aprendizagem deve oferecer as possibilidades para que ambos os estilos possam se manifestar, de modo que o aprendiz utilize-se desta flexibilidade ao perceber diferentes alternativas para avançar em relação às suas estruturas cognitivas, ao propor soluções para cada problema.

A tecnologia permite uma nova linguagem para enfrentar a dinâmica dos processos de ensinar e de aprender.

A linguagem da tecnologia informática contempla com maior ênfase a capacidade de aprender novas habilidades, de assimilar novos conceitos, de avaliar novas situações, de lidar com o inesperado, exercitando a criatividade e a criticidade.

Abre oportunidades que permitem enriquecer o ambiente de aprendizagem, e apresenta-se como um meio de pensar e ver o mundo, utilizando-se de uma nova sensibilidade, através da imagem eletrônica, que representa energia em imagem.

Esta imagem eletrônica envolve um pensar dinâmico, onde tempo, velocidade e movimento passam a ser os novos aliados no processo de aprendizagem, permitindo a educadores e educandos, desenvolver seu pensamento de forma lógica e crítica; sua criatividade através do despertar da curiosidade; sua capacidade de observação; seu relacionamento com grupos de trabalho na elaboração de projetos; seu senso de responsabilidade e co-participação. São novas percepções e estímulos, próprios desta linguagem de signos, símbolos e imagens que permitem a transposição do foco da didática, do saber ensinar para o saber aprender, onde é valorizado o sujeito-pesquisador que é capaz de disponibilizar o saber produzido, de modo a desenvolver a habilidade onde o ser humano é insubstituível: ser criativo, ter idéias.

A valorização do ser humano está nesta sua habilidade de gerar idéias, pois isto o coloca no centro de qualquer linguagem, energizando-se pela imagem, valorizando-se pelo pensar. Considera-se importante enfatizar que não se aprende do mesmo modo em todas as fases da vida, pois, segundo DELVAL (1997: 157) “a capacidade de formação de conhecimentos novos é determinada pelo nível de desenvolvimento do sujeito”. Isto significa que cada sujeito é singular e dispõe de “seu tempo” para promover a elaboração pessoal de determinado conhecimento.

E o que a escola oferece? A estrutura escolar possibilita a cada indivíduo a sua construção pessoal e única? E as idéias espontâneas do sujeito? E o seu envolvimento histórico-social- crítico?

A ilustração de TONUCCI (1997) nos coloca a grande máquina escolar. Nela – escola obrigatória – entram indivíduos singulares; a escola aplica um tratamento idêntico a todos; utiliza material didático que é enviado igual e indiferenciadamente para todas as escolas, independente de seu contexto sócio-histórico; são desconsiderados (“lixo”) todos os casos “difíceis”; o professor transmite conhecimentos acabados; ingeta conteúdos, e a escola sente-se satisfeita ao entregar à sociedade sujeitos idênticos, indiferenciados, produzidos para seguirem uma carreira e usufruir os benefícios do bem-estar, da cultura, da dignidade e do poder.
Vários autores têm apontado a necessidade de integração dos conhecimentos disponibilizados pela escola e aqueles resultantes de construção pessoal.

Evidencia-se a dicotomia entre a aprendizagem fora da escola, sob um contexto onde o conhecimento construído de forma ativa reflete a interação- reação com o ambiente, e a aprendizagem dentro da escola, onde ocorre a apropriação de saberes herdados, denominados “cultura” (DELVAL, 1997).

Entre estes extremos existem muitas outras situações que não cabem ao escopo deste estudo.

Da obra Pedagogia da Autonomia (FREIRE, 2000: 31) escolheu-se o trecho:
... uma das bonitezas de nossa maneira de estar no mundo e com o mundo, como seres históricos, é a capacidade de, intervindo no mundo, conhecer o mundo.
Mas, histórico como nós, o nosso conhecimento do mundo tem historicidade. Ao ser produzido, o conhecimento novo supera que antes foi novo e se fez velho e se ‘dispõe’ a se ultrapassado por outro amanhã ”.
 

O novo e o velho: aprender a aprender

O trecho escolhido, presente em toda a obra de Paulo Freire, ilustra a percepção do aprender a aprender que envolve um contínuo agir em educação.

Agir este que se renova a cada dia, constituindo-se em uma constante busca por novos saberes; promovendo e respeitando os saberes dos outros; provocando inquietações; exigindo posturas críticas, indagações e soluções para os desafios que se apresentam, sem cessar. Isto exige do sujeito um posicionamento ético e estético ao emitir julgamentos, comparações e valorações; rompendo barreiras e sendo criativo. Exige, também, ser um desafiador.

Como diz FREIRE (2000: 36) “Só somos porque estamos sendo”.

E, ao estar sendo e aprendendo, estamos sujeitos a riscos, de tal forma que devemos estar sempre preparados para fazer e refazer; construir, destruir e reconstruir; refletir criticamente, sem prescindir da emoção, dos laços afetivos, das sensações transmitidas e sentidas por todos que desejam aprender e que estão cientes de que somos seres eternamente inacabados, no espaço-tempo que nos define.

FREIRE (2000: 59) coloca: “... gosto de ser gente porque inacabado, sei que sou um ser condicionado, mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele”.

“Ir além” requer uma constante leitura da realidade, que, instigada pela curiosidade de encontrar soluções para os problemas emergentes de nossas inquietações, nos impulsiona a novas descobertas e a produzir novos conhecimentos.

Os que eram novos conhecimentos passam a ser velhos e os agora novos também serão velhos um dia, quando novos os substituírem, e assim constitui-se a renovação.

E a realidade que se apresenta agora está mediatizada pela tecnologia, em todos os seus segmentos. Na educação, a tecnologia informática marca presença de forma irreversível, tornando obrigatória a formação permanente; o aprender a aprender toma forma explícita e inexorável.

Torna-se importante desenvolver o potencial cognitivo dos “aprendedores” de modo a lhes permitir aprendizagens posteriores. Só assim poderão ser considerados preparados para evoluir nos campos: dos saberes (domínio da linguagem técnica); do saber-fazer (domínio dos instrumentos); do saber- estar (agir, interagir e comunicar); do fazer-saber (criar e transformar) (FONSECA, 1998).

O uso da tecnologia informática, no ensinar e no aprender, tem transformado significativamente os papéis dos atores em educação.
A visão da aprendizagem acelerada e personalizada tem cedido espaço para ações colaborativas e cooperativas geradoras de uma memória coletiva compartilhada, que corresponde a um saber, produzido em grupo, e disponibilizado em um espaço sem fronteiras, assíncrono e atemporal.

Este saber mutável constitui-se num produto construído por várias “mãos” e por “olhares” diferentes, o que significa que será constantemente atualizado nas interações interindividuais, nos termos de uma ação em cooperação.

O processo educacional está imerso em uma sociedade mutante onde a ação pedagógica sente necessidade de buscar repostas às inquietações geradas pelo paradigma da transformação, característico da era da comunicação, onde o conhecimento não é estático, onde nada é definitivo, onde só ensina quem aprende.

As alternativas de aprendizagem, dentro deste novo contexto, cujo enfoque fundamental exige a compreensão crítica do mundo, passam por uma dinâmica que tem como meta a interatividade, agora possibilita pela utilização da telemática como recurso didático que exige uma nova postura dos educadores, que passam de meros difusores de informações, para mediadores ativos entre os alunos e as informações que são geradas no mundo, em proporções cada vez maiores, produzindo novos conhecimentos, através de novas atitudes.

Estas relações pedagógicas abastecem-se com atividades investigatórias como forma de ampliar as possibilidades de conhecimento e técnicas que exercitem o fazer.

Considera-se de fundamental importância o desenvolvimento de ações que venham a proporcionar a educadores e educandos a vivência com os produtos gerados pela tecnologia e que lhes permitam adotar atitudes não diretivas, bem como lhes oportunizem desenvolver o potencial imaginário para superar de forma lúdica e prazerosa as dificuldades de aprendizado de conceitos, signos e sinais.

Deste modo estarão instrumentalizados para participar da universalização da cultura, pela utilização de uma linguagem sem barreiras de espaço ou tempo. Esta forma de comunicação implica na formação de uma mentalidade que reconhece o potencial humano e suas interações em um campo de percepções pela tecnologia informática. Estes são os desafios.

Refletir sobre eles envolverá, sem dúvida, a capacidade de compartilhar saberes, com espaço para transformações que conduzam ao desenvolvimento de estratégias tendo como meta apontar alternativas enriquecedoras para o processo de construção do conhecimento que vise a formação de cidadãos críticos e criativos.

As soluções tecnológicas produzidas para a área educacional têm envolvido equipes multidisciplinares capazes de identificar problemas e com qualificação técnica (experiência e conhecimento de tecnologias) para apontar soluções com arquiteturas capazes de enriquecer as trocas, no sentido de permitir a produção de conhecimento.

Porém esta qualificação técnica não é mais privilégio dos especialistas em computação, pois o acesso às informações está disponibilizado por uma aldeia, que se diz global, que permite a distribuição da inteligência coletiva. Isto representa o resultado de reflexões em novos rumos, através de novas e multi dimensões, sem fragmentações estruturais, espaciais ou temporais.

A interatividade com o ambiente computacional é fundamental quando se tem em mente facilitar as atividades cognitivas através das trocas, sob as mais variadas formas: exploratórias, para solução de problemas, para tomadas de decisão, participativas, cooperativas. Daí a importância de serem analisadas as formas como ocorrem as trocas de informações (Comunicação), seja através de textos, gráficos, voz, vídeo, símbolos ou linguagens especiais.

O processamento destas formas de trocas de informações evoluiu tanto que é analisado por uma ciência emergente – neurociência computacional. Esta tem sido estudada também pelos especialistas em computação, em cooperação com psicólogos e neurocientistas, o que se justifica pois a fonte de inspiração para o aperfeiçoamento das máquinas é a mais perfeita delas – o cérebro humano.

As megatendências em Educação evidenciam que aprendizagem, colaboração e comunicação, irão determinar as relações competitivas entre indivíduos, comunidades e nações. A escola, nesta visão, passa a ser encarada como uma organização que poderá ter outra referência que não a presença física em seus ambientes de aprendizagem, o que predispõe à diversidade étnica e cultural, onde o que menos interessa é o lugar. Assim, a comunicação reveste-se de conceitos novos de como utilizar a tecnologia de modo a garantir esta modalidade, desenvolvendo habilidades e competências que vão desde o desenvolvimento da capacidade de trabalhar cooperativamente até a exploração dinâmica da informação, através dos diversos meios disponibilizados pela tecnologia informática em espaços que permitem acesso à informação, experimentação, solução de problemas e compartilhamento de perguntas.

Neste caso a discussão se faz quanto aos significados e a adequada utilização destes espaços privilegiados – as interfaces entre informações e o homem, que denominamos de Memória. Na escola tradicional é exigida do estudante muita memorização, pois a maioria dos professores não está consciente de que biológicamente não é possível a retenção de uma quantidade muito grande de informações. Segundo LENT (1997) a geração atual, que se utiliza da Internet, não está mais apenas retendo informações, mas aprendendo a acessá-las quando necessário, multiplicando sua capacidade de estar informado, mesmo com o enorme volume de informações que são geradas e num universo que extrapola os limites da sala de aula, permitindo-lhe acessar o que está sendo produzido no mundo e que assume as dimensões surpreendentes.

O professor não tem como ser o dono de todo o saber e, se insistir nisto, seus alunos serão capazes de acessar todas as informações que o mesmo acumulou durante toda a sua vida em questão de horas, de uma maneira não apenas rápida, mas filtrada, de acordo com seus interesses. Assim uma nova metodologia está sendo proposta, a da pesquisa científica que estimule a dúvida, a pergunta, a busca de informações, a resolução de problemas, a construção do saber e não apenas a acumulação de informações num espaço cerebral que possui limites de capacidade muito inferiores ao que seria necessário para armazenar o que está sendo produzido. Os arquivos humanos podem ser acessados de modo semelhante ao dos computadores, só que os processos de armazenamento deverão ser bem ais seletivos de forma a garantir a qualidade dos bancos de informações. Temos que levar em conta, também, que podemos dispor de um saber coletivo, basta saber os endereços corretos para acessá-lo, isto envolve administrar os modos de comunicação para dispor das informações geradas por outras memórias, o que significa diminuir o uso do cérebro individual, privilegiando o coletivo.

Questiona-se então o aprendizado calcado na memorização em favor daquele baseado na consulta, pois as informações sofrem evolução, podem se multiplicar em pouco tempo e o profissional que não souber acessá-las, provavelmente, ficará prejudicado no mercado de trabalho.

Da mesma forma as trocas de experiências, debates, discussões, questionamentos interativos, são mais ricos e estimulantes, do que longas exposições de conteúdo, sem possibilidade de descobertas.

Este aprender a aprender inclui a capacidade de filtrar as informações significativas, onde deve ser também considerada a motivação, o que representa um dos fatores que garantem a eficiência do aprendizado. Este cérebro coletivo utiliza-se das máquinas e estas devem ser encaradas como auxiliares do processo de construção do conhecimento.

A Educação é um projeto humano, enquanto a aprendizagem envolve mudança de comportamento.

Os novos modelos instrucionais têm afetado não só o modo como a instrução é comunicada ao aluno, mas também na forma como o aluno constrói um novo conhecimento à partir das informações apresentadas.

Atualmente existem duas aproximações que influenciam projetos instrucionais: processamento de símbolos e conhecimento localizado.

No primeiro caso, tem-se o computador executando operações formais em símbolos. O professor pode transmitir um corpo fixo de informações aos alunos através de uma representação externa. Idéias abstratas são representadas de foram concreta e surge a representação do aluno através de um meio. O aluno compreende, decodifica e armazena a informação. Neste caso também concorrem o contexto do aluno e o intelecto , bem como seus conhecimentos prévios e suas habilidades.

No caso do conhecimento localizado, as bases estão nos processos construtivista, onde o aluno constrói uma representação interna do conhecimento através da interação com o material, objeto de estudo.

Nesta situação, quanto mais os professores estiverem familiarizados com o material e o processo instrucional utilizado para passar as instruções, mais eficientes se tornarão suas apresentações, de modo a promover o envolvimento com o ambiente de trabalho proporcionando aos alunos o compartilhamento deste espaço de aprendizagem, tornando-os agentes de mudanças decorrentes de suas observações.

A linguagem de programação informática, iniciada nos anos quarenta, que envolvia ajustes de interruptores, tubos e discos, evoluiu em cinqüenta anos, tornando-se uma forma de arte, e passou a representar um outro meio de expressão humana. Os ambientes de trabalho foram completamente modificados e os usuários passaram a incluir a aprendizagem do computador no seu cotidiano.

O uso personalizado dos meios eletrônicos com seus dispositivos de input e output, imprimem as qualidades específicas segundo a natureza desejada. A cultura dos meios inclui uma comutação instantânea do imediato, a imagem não é mais o lugar da metáfora, mas da metamorfose, pois é possível visualizá-la imediatamente, explorá-la, modificá-la, exercendo o controle do campo dos possíveis pela interatividade. No processo constante de superposição de tecnologias sobre tecnologias, os efeitos são os mais variados, desde a hibridação de códigos, meios e linguagens, até a combinação em processos denominados intermídia e multimídia. É a informação sendo processada!

Nossa moeda, nossos valores estão sendo associados ao papel das informações, que devem constituir-se em base confiável para as atividades humanas. Mas aos educadores não cabe apenas desenvolver a capacidade de usar as informações e com elas produzir melhor, na geração de conhecimentos.

Seu relacionamento com os aspectos gerados pela tecnologia deve ter, como um dos produtos, o desenvolvimento da capacidade de inovar, utilizando-os para desenvolver soluções adequadas às necessidades específicas de sua atividade.

Exige-se, também, do educador o desenvolvimento de habilidades intelectuais gerais e fundamentais ao emprego de estruturas lógicas inerentes a métodos e teorias.

Para isto é importante o domínio prático de procedimentos que permitam, além do uso, a possibilidade de produção de materiais definidos pelas peculiaridades de seu ambiente educativo. Isto não significa que lhe sejam exigidas qualificações técnicas complexas, para tal existem profissionais capacitados. Neste processo de reeducação que estamos vivenciando, torna-se fundamental a utilização adequada das novas tecnologias, dentro de um projeto pedagógico inovador, que beneficie o processo de ensino-aprendizagem. E este processo de reeducação deve incluir a interação homem-máquina de modo que ao educador seja possível obter o máximo de rendimento dos equipamentos e instrumentos de ensino dentro de seus propósitos pedagógicos.

Para que isto ocorra é importante que esta interatividade permita o desenvolvimento de habilidades exploratórias dos artefatos eletrônicos; tomadas de decisão com relação às alternativas e às possibilidades dos equipamentos; exploração adequada do ambiente educacional informatizado, com o objetivo de acompanhar o processo de construção de conhecimentos possível dos participantes do mesmo; construção de projetos educativos com definição clara dos elementos técnicos básicos necessários para seu desenvolvimento; estabelecimento de formas de articulação de trabalhos cooperativos dentro das limitações impostas pelos materiais utilizados; agilização e controle do fluxo das informações pelo conhecimento das potencialidades do ambiente educacional informatizado.

Estas são algumas considerações que julgou-se conveniente expressar, de modo a salientar a relevância da familiarização com o processo de transformações das informações, que permitam auxiliar no processo de construção de conhecimentos de grupos e indivíduos, levando em conta alguns conceitos técnicos e cognitivos importantes, de forma a extrair o máximo de um ambiente educacional informatizado onde possam ocorrer trocas significativas entre os diversos agentes (humanos e computacionais) que fazem parte deste ambiente, tendo como meta o desenvolvimento das estruturas cognitivas dos usuários, com ênfase na importância da visão de como são processadas as informações e como se dão as relações com a máquina em si, que estão a exigir novas posturas do educador, novas formas de pensar e proceder, onde se incluem a pesquisa das potencialidades dos equipamentos da tecnologia informática como agentes educacionais.

Os ambientes de aprendizagem telemáticos vêm oferecer aos educadores e educados a possibilidade de produção e/ou utilização dos mais variados materiais através de atividades cooperativas, em diferentes contextos tempo/espaço (síncrono, assíncronos, distribuídos ou não) em forma de equipe, na busca pela solução de problemas, utilizando-se de uma arquitetura de conceitos – estratégia que requer o conhecimento de cada um do grupo na geração do saber coletivo, sob a ação remota de um orientador. Este ambiente telemático, que permita ao grupo construir conhecimento, precisa ser criado, considerado as formas como cada participante percebe, organiza e processa a informação, que caracterizam o que se denomina de Modalidade e Dominância Cerebral.

Os desequilíbrios gerados pelas informações individuais no coletivo, devem motivar a construção de algo e a acomodação das novas informações ou a sua rejeição. Sabe-se que o processo de geração de solução do problema gera uma teia de informações para a memória coletiva, que se constitui de várias arquiteturas de conceitos de diferentes domínios de aplicação. O conceito é a peça fundamental, a unidade básica de informação, que é compartilhada pela memória coletiva através das funções de modelagem do conhecimento. A aprendizagem cooperativa envolve problemas, não de uso da tecnologia, mas de se desenvolver novos hábitos de cooperação e de comunicação, mudanças culturais e novas estratégias cognitivas, como group awareness , floor passing , scene analysis , brainstorm e uma tecnologia intelectual, que conduzem a uma hipertecnologia capaz de gerar um meta-ambiente de aprendizagem.
 

Conclusâo

Pretendeu-se, com este estudo, apenas ressaltar que a diferença entre os diferentes tipos de ensinar e de aprender pode estar nos objetivos, onde destacam-se: o ritmo próprio para aprender, problemas concretos a enfrentar, criação e procedimentos, desenvolvimento de habilidades “usáveis”, mais capazes de promover a integração de ambas as formas de “conhecer”.

Merece especial destaque o fato de em qualquer dos casos, o conhecimento é resultante de ações do sujeito, o que significa envolver sua atividade pessoal, onde as soluções tenham significado para ele, permitindo-lhe tirar conclusões, propor novos problemas, fazer relacionamentos e emitir conceitos. HUNT (1975) denominou estas diferenças individuais na capacidade de resolução de tarefas cognitivas de “variabilidade” e considerou que tais diferenças estão associadas a variáveis pessoais e interativas.
 

Bibliografía consultada e referenciada